quinta-feira, 8 de outubro de 2026 · Edição diária

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Oratomic vai a US$ 5,4 bilhões em valor e põe a computação quântica na fila para suceder a IA

A Oratomic levantou US$ 475 milhões três meses depois de valer US$ 1,5 bilhão, e a britânica Universal Quantum captou US$ 100 milhões. Os dois aportes de 8 de outubro mostram o dinheiro de risco migrando para a computação quântica.

Laboratório com equipamento de computação quântica
Duas startups de computação quântica anunciaram, em 8 de outubro de 2026, rodadas que somam US$ 575 milhões. Foto: Pexels / Pachon in Motion

A Oratomic, startup americana de computação quântica, anunciou nesta quinta-feira (8) uma rodada de US$ 475 milhões liderada pela General Catalyst, segundo reportagem da NeoFeed. No mesmo dia, a britânica Universal Quantum informou uma Série A de US$ 100 milhões. Somados, os dois aportes passam de meio bilhão de dólares e reforçam a aposta de fundos de que a computação quântica será a próxima grande onda depois da inteligência artificial.

Oratomic multiplica por mais de três o valor em três meses

Além da General Catalyst, participaram da rodada da Oratomic a ARCH Venture Partners, a Spark Capital, a Khosla Ventures, a Index Ventures e a Bezos Expeditions, veículo de investimentos de Jeff Bezos. Três meses antes, a empresa havia captado US$ 300 milhões em uma Série A que a avaliava em US$ 1,5 bilhão. Com o novo aporte, o total levantado chega a US$ 775 milhões, e a avaliação sobe para US$ 5,4 bilhões.

A Oratomic foi fundada no fim de 2025, em Pasadena, na Califórnia, por físicos e pesquisadores de Harvard, Berkeley e Caltech. A empresa desenvolve computadores quânticos de grande escala e tolerantes a falhas, e diz esperar que sua máquina esteja pronta até 2030. O dinheiro será usado para ampliar a equipe, a infraestrutura de laboratório e os sistemas.

O fundador da Khosla Ventures, Vinod Khosla, comparou o investimento ao que seu fundo fez na OpenAI no início de 2019, dois anos antes do lançamento do ChatGPT. Martin Mignot, sócio da Index Ventures, contou ao Wall Street Journal que o fundo nunca havia investido em computação quântica porque muitas startups do setor lhe pareciam ficção científica. A Oratomic, disse ele, está muito mais próxima da viabilidade comercial.

Universal Quantum abre centro em Singapura

A Universal Quantum, fundada em 2018, descreve a sua Série A como a maior já feita por uma startup quântica com sede no Reino Unido. A rodada foi co-liderada pela DCVC e pela Firgun Ventures, com participação de EDBI, Artal, IAG Capital e Dave Baszucki, fundador e CEO da Roblox. Antes disso, a empresa tinha levantado pouco mais de US$ 5 milhões em cinco rodadas.

O cofundador e CEO, Sebastian Weidt, afirmou que o objetivo é entregar computação quântica em escala de utilidade pública. O capital financiará o desenvolvimento e a comercialização de um computador modular, com correção de erros e tolerante a falhas. Também pagará um novo centro de pesquisa em Singapura, o primeiro fora da Europa, e a expansão nos Estados Unidos, no Japão e no polo de Hamburgo. A empresa tem escritórios em três continentes e mais de 100 funcionários.

Bolsa e big techs já se movem no setor

O interesse dos fundos aparece também no mercado de capitais. Até 2025, apenas quatro empresas quânticas tinham ações em bolsa: D-Wave, IonQ, Quantum Computing e Rigetti. Desde então, a Xanadu e a Horizon Quantum abriram capital, e a Quantinuum, fundada em 2021, estreou na Nasdaq em junho de 2026, levantando US$ 1,68 bilhão a uma avaliação de US$ 15,5 bilhões, de acordo com a NeoFeed.

As grandes empresas de tecnologia seguem o mesmo caminho. A Microsoft abriu um centro dedicado à área no fim de setembro e prevê lançar sistemas comerciais até 2029. Em junho, a AWS ampliou a parceria com a QuEra e anunciou um computador quântico tolerante a falhas, que a empresa diz ser capaz de lidar com problemas cientificamente relevantes. Google e IBM também investem no setor.

O que os números pedem de quem investe

Para investidores e empresas que acompanham a corrida da IA, os aportes de 8 de outubro indicam onde parte do capital de risco passou a procurar retorno. Os prazos citados pelas próprias empresas, 2029 para a Microsoft e 2030 para a Oratomic, mostram que as máquinas comerciais ainda levam anos para chegar. Até lá, as avaliações, como os US$ 5,4 bilhões da Oratomic, dependem da promessa de aplicações em áreas como a farmacêutica, e não de receita.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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