A CPFL Energia recebeu, nos últimos 18 meses, pedidos de conexão de data centers que somam cerca de 8 gigawatts (GW), segundo reportagem do NeoFeed publicada nesta quarta-feira (14). Pelos dados da Associação Brasileira de Data Centers (ABDC) citados pelo veículo, os data centers em operação no país somam cerca de 1 GW. A fila da distribuidora equivale, portanto, a cerca de oito vezes essa base.
O CEO Gustavo Estrella disse ao NeoFeed que Campinas tem 350 megawatts (MW) de carga e que a empresa recebe pedidos que quadruplicam esse valor. A demanda hoje é majoritariamente de computação em nuvem. Estrella vê espaço para crescimento se parte dela migrar para inteligência artificial.
O consumo já aparece no balanço
No segundo trimestre de 2026, os data centers atendidos pelas distribuidoras do grupo consumiram 313 gigawatts-hora (GWh), alta de 35,8% sobre o mesmo período de 2025. No mercado total das distribuidoras, o crescimento foi de 4%. No primeiro semestre, o consumo desses clientes subiu 30%, para 589 GWh.
A fatia dos data centers na energia faturada da classe comercial passou de 7,4% para 9,3% na comparação entre os segundos trimestres. A CPFL é controlada pela chinesa State Grid, tem 14% do mercado de distribuição e atende 10,9 milhões de clientes em 687 municípios de São Paulo e do Rio Grande do Sul.
Onde o pedido trava
O principal limite, de acordo com a reportagem, é a capacidade da rede básica de transmissão, cuja expansão não acompanha o ritmo dos investimentos dos clientes. Uma saída é ampliar conexões já existentes. Estrella admitiu que talvez não seja possível aproveitar todo o potencial de expansão dos data centers.
Na geração, a CPFL tem 4.072 MW de capacidade instalada, toda renovável. No segundo trimestre, os cortes de geração determinados pelo ONS (curtailment) chegaram a 25% da geração potencial. Por causa desse risco, a empresa está em compasso de espera para novos projetos de geração.
Baterias e o plano de R$ 31 bilhões
A companhia quer disputar os leilões de baterias e de usinas reversíveis. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cadastrou mais de 300 GW em projetos para esses certames. Estrella citou custo de capital baixo, acesso a fornecedores e escala como vantagens, e afirmou que a empresa vai exigir retorno adequado nas premissas financeiras.
O plano de investimentos para 2026 a 2030 soma R$ 31 bilhões, dos quais R$ 25,3 bilhões em distribuição. Neste ano, a estimativa é de R$ 6,5 bilhões, e R$ 2,8 bilhões já foram aplicados no primeiro semestre. No período, a CPFL teve lucro líquido de R$ 3,35 bilhões, alta de 19,5%, e Ebitda de R$ 7,4 bilhões, alta de 7,8%.
Quem depende da decisão do regulador
Estrella defende que o regulador reconheça os investimentos todos os anos, e não só nas revisões tarifárias previstas para 2027 e 2028. A dívida líquida era de R$ 32,5 bilhões em junho, com alavancagem de 2,36 vezes o Ebitda. Para os data centers, o prazo de conexão dependerá de quando a transmissão sair do papel, e o Itaú BBA elevou o preço-alvo da ação de R$ 45,90 para R$ 52,50.



