Um grupo de criadores de conteúdo, influenciadores e artistas ligados ao campo progressista lançou, no domingo (27), uma carta de apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República nas eleições de 2026. A informação foi divulgada primeiro pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e depois repercutida pelo Poder360. O documento reúne dez compromissos que o grupo pede ao próximo governo, a maior parte deles voltada a regras para plataformas digitais e para o uso de inteligência artificial.
A iniciativa parte de Biana, Thiago Guimarães e do Cria Coletivo, responsáveis pela organização da carta. Entre os nomes que assinam o texto, com audiência relevante nas redes sociais, estão Nath Finanças, Camila Fremder, Rita Von Hunty, Sabrina Fernandes, Laura Sabino, Lauany Schultz e Orlando Calheiros. Segundo os organizadores, o grupo reúne mais de 12 milhões de seguidores só no Instagram.
A carta foi divulgada a uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, quando o país também escolhe governadores, senadores e deputados.
O que o grupo cobra das big techs
Cinco dos dez compromissos tratam diretamente das plataformas digitais. O texto pede transparência nos critérios usados pelos sistemas de recomendação para impulsionar, restringir ou monetizar conteúdo, hoje definidos de forma unilateral pelas empresas, e acesso a dados que permita auditoria independente. Cobra ainda portabilidade de conteúdos e dados entre serviços.
Outros dois pontos tratam do controle do usuário sobre o próprio feed. O grupo pede o direito de escolher como organizar a linha do tempo, com a opção cronológica entre as alternativas, e regras de moderação claras, com canais de contestação e revisão humana das decisões automatizadas.
Regras para treinar IA com obras de criadores
Três compromissos miram diretamente a inteligência artificial. O documento pede transparência sobre o uso de vídeos, textos e imagens de criadores no treinamento de sistemas de IA, proteção contra a clonagem não autorizada de voz, imagem e identidade, e a proibição de uso comercial de conteúdo sem consentimento prévio dos autores.
O último bloco trata de infraestrutura e remuneração. O grupo pede mudanças no modelo de pagamento a criadores pelas plataformas e investimento em infraestrutura digital pública descentralizada e em tecnologia nacional.
O documento evita transformar o apoio em cheque em branco ao governo. Segundo o texto, o apoio dos signatários não significa abrir mão da crítica, da cobrança ou da autonomia do grupo.
Quem senta na mesa de política digital
O décimo compromisso cria uma Mesa Permanente de Criadores Digitais dentro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, com representantes do setor. Na prática, a proposta daria a esses criadores assento formal em discussões sobre regulação de plataformas e de inteligência artificial, hoje concentradas entre governo, Congresso e as próprias big techs. Caberá ao Planalto, se o compromisso avançar, definir como escolher os representantes e que peso as demandas do grupo terão diante dos interesses de empresas como Meta, Google e TikTok. Para os signatários, a mesa deve funcionar como canal permanente de cobrança pública ao longo de todo o mandato, muito além do período eleitoral.



