segunda-feira, 28 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Influenciadores com 12 milhões de seguidores apoiam Lula e cobram lei contra clonagem por IA

Carta assinada por criadores com mais de 12 milhões de seguidores no Instagram cobra transparência das plataformas, proteção contra clonagem por inteligência artificial e assento fixo na política digital do próximo governo.

Luiz Inácio Lula da Silva, alvo da carta de apoio assinada por criadores de conteúdo
Carta assinada por criadores de conteúdo com mais de 12 milhões de seguidores pede regras para plataformas e para o uso de inteligência artificial ao próximo governo. Foto: Lula Oficial / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Um grupo de criadores de conteúdo, influenciadores e artistas ligados ao campo progressista lançou, no domingo (27), uma carta de apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República nas eleições de 2026. A informação foi divulgada primeiro pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e depois repercutida pelo Poder360. O documento reúne dez compromissos que o grupo pede ao próximo governo, a maior parte deles voltada a regras para plataformas digitais e para o uso de inteligência artificial.

A iniciativa parte de Biana, Thiago Guimarães e do Cria Coletivo, responsáveis pela organização da carta. Entre os nomes que assinam o texto, com audiência relevante nas redes sociais, estão Nath Finanças, Camila Fremder, Rita Von Hunty, Sabrina Fernandes, Laura Sabino, Lauany Schultz e Orlando Calheiros. Segundo os organizadores, o grupo reúne mais de 12 milhões de seguidores só no Instagram.

A carta foi divulgada a uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, quando o país também escolhe governadores, senadores e deputados.

O que o grupo cobra das big techs

Cinco dos dez compromissos tratam diretamente das plataformas digitais. O texto pede transparência nos critérios usados pelos sistemas de recomendação para impulsionar, restringir ou monetizar conteúdo, hoje definidos de forma unilateral pelas empresas, e acesso a dados que permita auditoria independente. Cobra ainda portabilidade de conteúdos e dados entre serviços.

Outros dois pontos tratam do controle do usuário sobre o próprio feed. O grupo pede o direito de escolher como organizar a linha do tempo, com a opção cronológica entre as alternativas, e regras de moderação claras, com canais de contestação e revisão humana das decisões automatizadas.

Regras para treinar IA com obras de criadores

Três compromissos miram diretamente a inteligência artificial. O documento pede transparência sobre o uso de vídeos, textos e imagens de criadores no treinamento de sistemas de IA, proteção contra a clonagem não autorizada de voz, imagem e identidade, e a proibição de uso comercial de conteúdo sem consentimento prévio dos autores.

O último bloco trata de infraestrutura e remuneração. O grupo pede mudanças no modelo de pagamento a criadores pelas plataformas e investimento em infraestrutura digital pública descentralizada e em tecnologia nacional.

O documento evita transformar o apoio em cheque em branco ao governo. Segundo o texto, o apoio dos signatários não significa abrir mão da crítica, da cobrança ou da autonomia do grupo.

Quem senta na mesa de política digital

O décimo compromisso cria uma Mesa Permanente de Criadores Digitais dentro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, com representantes do setor. Na prática, a proposta daria a esses criadores assento formal em discussões sobre regulação de plataformas e de inteligência artificial, hoje concentradas entre governo, Congresso e as próprias big techs. Caberá ao Planalto, se o compromisso avançar, definir como escolher os representantes e que peso as demandas do grupo terão diante dos interesses de empresas como Meta, Google e TikTok. Para os signatários, a mesa deve funcionar como canal permanente de cobrança pública ao longo de todo o mandato, muito além do período eleitoral.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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