domingo, 27 de setembro de 2026 · Edição diária

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Trump e CEO da Anthropic se encontram pela primeira vez em jantar na Casa Branca neste domingo

Amodei janta com Trump neste domingo (27), primeiro encontro a sós entre os dois desde que a Anthropic recusou afrouxar limites ao uso militar de seus sistemas de IA, segundo a Folha e o TechCrunch.

Dario Amodei, CEO da Anthropic
Dario Amodei, CEO da Anthropic, tem jantar particular com Donald Trump na Casa Branca neste domingo (27). Foto: Pexels / gravity cut

O presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, janta neste domingo (27) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, segundo reportagem da Folha. É o primeiro encontro particular entre os dois desde que a relação entre a empresa de inteligência artificial e o governo americano piorou, motivada por divergências sobre o uso militar de sistemas de IA e sobre o ritmo de desenvolvimento da tecnologia.

A Anthropic recusou afrouxar as restrições que impõe ao uso de sua tecnologia em operações militares e de vigilância, e Trump passou a criticar publicamente Amodei depois que o executivo defendeu que as empresas do setor reduzam o ritmo de aprimoramento dos sistemas de inteligência artificial mais avançados, de acordo com a Folha. A informação sobre o convite para o jantar foi revelada primeiro pelo site americano Axios e confirmada pelo TechCrunch. A Anthropic, que desenvolve o chatbot Claude, é uma das principais concorrentes da OpenAI no mercado de inteligência artificial generativa nos Estados Unidos.

O ensaio que dividiu o debate sobre segurança

Em 12 de setembro, Amodei publicou um ensaio de cerca de 3.800 palavras, intitulado 'We Must Pace the Frontier', em que defende que o setor desacelere o desenvolvimento dos modelos mais avançados e submeta seus sistemas a inspeções externas obrigatórias, segundo a Folha. Pela proposta do executivo, auditores independentes credenciados passariam a ter acesso a dados e a arquiteturas internas das empresas hoje restritos a engenheiros seniores.

Trump rejeitou o alerta, chamou as preocupações com os riscos da inteligência artificial de farsa, sem apresentar provas, e recusou pedidos por mais coordenação internacional sobre o tema, segundo a Folha. O presidente defende ainda rebatizar a tecnologia como superinteligência, termo que vem usando para descrever sistemas mais avançados que os atuais modelos de IA generativa.

Pentágono, exportação e contrato suspenso

As tensões entre a Anthropic e o governo Trump vêm de uma disputa contratual com o Pentágono no início deste ano e de um controle de exportação que o Departamento de Comércio impôs, por um período breve, ao modelo Mythos da empresa em junho, de acordo com o TechCrunch. O Pentágono também classificou a Anthropic como risco na cadeia de suprimentos, em resposta às limitações que a companhia impõe ao uso militar de sua tecnologia, designação que a empresa contesta na Justiça.

O que está em jogo nos contratos federais da Anthropic

O jantar deste domingo não encerra as disputas em curso, mas é lido pela Folha e pelo TechCrunch como sinal de que a relação entre a empresa e a Casa Branca começa a esfriar as tensões. O desfecho do encontro pode influenciar o andamento do processo sobre a designação de risco, o futuro dos controles de exportação do modelo Mythos e a disposição do governo em reabrir contratos com a Anthropic no Pentágono, questões que afetam diretamente a receita da empresa com o setor público americano e servem de referência para outras companhias de IA que disputam contratos com o governo dos Estados Unidos.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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