O presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, janta neste domingo (27) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, segundo reportagem da Folha. É o primeiro encontro particular entre os dois desde que a relação entre a empresa de inteligência artificial e o governo americano piorou, motivada por divergências sobre o uso militar de sistemas de IA e sobre o ritmo de desenvolvimento da tecnologia.
A Anthropic recusou afrouxar as restrições que impõe ao uso de sua tecnologia em operações militares e de vigilância, e Trump passou a criticar publicamente Amodei depois que o executivo defendeu que as empresas do setor reduzam o ritmo de aprimoramento dos sistemas de inteligência artificial mais avançados, de acordo com a Folha. A informação sobre o convite para o jantar foi revelada primeiro pelo site americano Axios e confirmada pelo TechCrunch. A Anthropic, que desenvolve o chatbot Claude, é uma das principais concorrentes da OpenAI no mercado de inteligência artificial generativa nos Estados Unidos.
O ensaio que dividiu o debate sobre segurança
Em 12 de setembro, Amodei publicou um ensaio de cerca de 3.800 palavras, intitulado 'We Must Pace the Frontier', em que defende que o setor desacelere o desenvolvimento dos modelos mais avançados e submeta seus sistemas a inspeções externas obrigatórias, segundo a Folha. Pela proposta do executivo, auditores independentes credenciados passariam a ter acesso a dados e a arquiteturas internas das empresas hoje restritos a engenheiros seniores.
Trump rejeitou o alerta, chamou as preocupações com os riscos da inteligência artificial de farsa, sem apresentar provas, e recusou pedidos por mais coordenação internacional sobre o tema, segundo a Folha. O presidente defende ainda rebatizar a tecnologia como superinteligência, termo que vem usando para descrever sistemas mais avançados que os atuais modelos de IA generativa.
Pentágono, exportação e contrato suspenso
As tensões entre a Anthropic e o governo Trump vêm de uma disputa contratual com o Pentágono no início deste ano e de um controle de exportação que o Departamento de Comércio impôs, por um período breve, ao modelo Mythos da empresa em junho, de acordo com o TechCrunch. O Pentágono também classificou a Anthropic como risco na cadeia de suprimentos, em resposta às limitações que a companhia impõe ao uso militar de sua tecnologia, designação que a empresa contesta na Justiça.
O que está em jogo nos contratos federais da Anthropic
O jantar deste domingo não encerra as disputas em curso, mas é lido pela Folha e pelo TechCrunch como sinal de que a relação entre a empresa e a Casa Branca começa a esfriar as tensões. O desfecho do encontro pode influenciar o andamento do processo sobre a designação de risco, o futuro dos controles de exportação do modelo Mythos e a disposição do governo em reabrir contratos com a Anthropic no Pentágono, questões que afetam diretamente a receita da empresa com o setor público americano e servem de referência para outras companhias de IA que disputam contratos com o governo dos Estados Unidos.



