segunda-feira, 12 de outubro de 2026 · Edição diária

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Data center de R$ 75 bi do Google na Índia vira alvo de protesto e ação na Justiça

Ativistas da cidade indiana de Visakhapatnam processam o Google e a Adani por um data center de US$ 15 bilhões erguido perto de um reservatório que já sofre racionamento e de um santuário de leopardos e pangolins.

Canteiro de obras de data center em construção na Índia
Obra do data center de US$ 15 bilhões do Google e da Adani em Visakhapatnam enfrenta protestos e ação na Justiça indiana. Foto: Pexels

O Google enfrenta uma ação na Justiça e protestos de moradores por causa de um data center de US$ 15 bilhões (R$ 75 bilhões) que constrói em Visakhapatnam, cidade portuária do estado indiano de Andhra Pradesh, às margens do golfo de Bengala, segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta semana. O projeto, apresentado como o maior hub de inteligência artificial do Google fora dos Estados Unidos, foi anunciado em outubro de 2025 e é construído em parceria com a Adani Enterprises, por meio da joint venture AdaniConneX.

Ativistas pintaram o logotipo da empresa algemado e espalharam pela cidade cartazes com a frase, em tradução livre, 'dados não se bebem', de acordo com a Folha. Moradores e crianças fizeram caminhadas de protesto nas últimas semanas, e o grupo organizador planeja campanhas de porta em porta e atos na praia nos próximos dias.

A água que falta em Visakhapatnam

Visakhapatnam tem 2,5 milhões de habitantes e recebe 410 milhões de litros de água por dia de seus reservatórios e rios, enquanto a demanda da cidade chega a 480 milhões de litros diários, segundo levantamento da agência Reuters sobre o projeto. O racionamento de água já é rotina na região, o que alimenta o temor de moradores de que o consumo do data center aprofunde o déficit.

Terra de templo e santuário de leopardos na rota da obra

O empreendimento ocupa 160 acres (cerca de 65 hectares) que pertencem ao templo Sri Varaha Lakshmi Narasimha Swamy Devasthanam, em Simhachalam, área dividida entre os distritos de Adavivaram e Mudasarlova, segundo o portal jurídico indiano Live Law. O canteiro de obras fica a 0,86 quilômetro do Santuário de Vida Selvagem de Kambalakonda, que abriga leopardos e pangolins e onde a legislação local proíbe construções comerciais em um raio de 1 quilômetro, de acordo com a petição apresentada à Justiça.

A ação foi movida por Bolisetty Satyanarayana, coordenador nacional do grupo Jal Biradari (Comunidade da Água), que contesta a licença ambiental concedida ao projeto e o processo usado para transferir o terreno do templo à construtora, segundo o Live Law e o portal jurídico Bar and Bench.

Quem decide se a obra avança

Em 24 de agosto, o Tribunal Superior de Andhra Pradesh determinou que o governo estadual garanta que a construção só avance com todas as licenças legais e ambientais em dia, mas negou o pedido dos ativistas para suspender as obras enquanto o processo corre, segundo o portal The News Minute. Em 15 de setembro, uma nova audiência foi adiada depois que o governo assegurou à Corte que o meio ambiente seria protegido, de acordo com o Supreme Today.

Enquanto o caso tramita, a obra segue no morro que já foi raspado e transformado em terraços de terra vermelha, como registrou a Folha. O episódio de Visakhapatnam repete um padrão visto em outros países: a corrida por data centers para treinar modelos de inteligência artificial tem elevado o consumo de água e energia justamente em regiões que já enfrentam escassez, e é a população local, não o Google ou a Adani, que primeiro sente o peso do racionamento.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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