sábado, 10 de outubro de 2026 · Edição diária

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Amazon planeja US$ 21 bi em IA na Índia, mas moradores de Mumbai tentam barrar o data center

A Amazon quer investir US$ 21 bilhões em infraestrutura de IA na Índia até 2030, mas mais de mil moradores de Mumbai dizem que o projeto de 22 hectares foi aprovado sem consulta, segundo a Reuters.

Corredor de servidores em um data center
Data centers para IA ocupam grandes terrenos e consomem energia e água, o que levou moradores de Mumbai a protestar contra o projeto da Amazon. Foto: Pexels / Nino Souza

Moradores de um bairro de Mumbai tentam barrar um data center da Amazon, enquanto o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, busca transformar o país em sede da infraestrutura global de inteligência artificial. A informação é de reportagem da Reuters, publicada pela CNN Brasil neste sábado (10), que ouviu mais de duas dezenas de moradores e analisou correspondências oficiais.

Modi quer que a Índia hospede os dados de todo o mundo, com projetos que vão de Maharashtra, no oeste, a Andhra Pradesh, no sul. A estratégia parte de uma limitação: segundo a Reuters, o país não consegue por ora competir com os modelos de ponta dos Estados Unidos e da China, e por isso aposta na infraestrutura física de IA.

O prédio vizinho do terreno desmatado

A Amazon planeja investir US$ 21 bilhões em infraestrutura de IA na Índia até 2030. Em Mumbai, a instalação ocupará cerca de 22 hectares. O engenheiro Tushar Shetty, de 46 anos, comprou um apartamento no 21º andar há cinco meses e disse que não teria fechado negócio se soubesse do projeto. A mãe dele, Vasudha Shetty, de 62 anos, afirmou que a família se mudará se o data center avançar.

Vidya Kadam, de 68 anos e moradora há três décadas, prometeu resistência. Em 8 de setembro, centenas de pessoas, incluindo idosos, protestaram com cartazes que chamavam data centers de vampiros de energia e pediram a transferência do projeto. Mais de mil moradores afirmam que a obra foi aprovada sem consulta significativa.

A Amazon e as autoridades locais rebatem. Dizem que o empreendimento não sobrecarregará os serviços públicos, porque usará água e energia de fontes dedicadas. A empresa afirma que o sistema de resfriamento não consome água e que plantou mais mudas do que árvores removeu. Uma fonte da companhia, que não foi identificada, disse à Reuters que construir data centers tem um custo e que não há outra opção além de conviver com os protestos.

Água e política entram na disputa

O argumento ambiental pesa num país que, segundo a reportagem, tem 4% da água doce do mundo para 18% da população global. A S&P Global estima que entre 60% e 80% dos data centers indianos poderão enfrentar alto estresse hídrico nesta década. Em 2025, essas instalações consumiram cerca de 150 bilhões de litros, volume que deve mais que dobrar até 2030, de acordo com a Mordor Intelligence.

A resistência já tem eco político. Aaditya Thackeray, legislador da oposição, juntou-se aos manifestantes em Mumbai e disse que seu partido transferiria o projeto se voltasse ao poder. O governo Modi, por sua vez, promove os data centers como os motores invisíveis da vida digital indiana e argumenta que as tecnologias atuais usam água e eletricidade com mais eficiência. O Ministério de Eletrônicos e Tecnologia da Informação, o gabinete do primeiro-ministro e o do ministro-chefe de Maharashtra não responderam aos pedidos de comentário.

Quem paga o custo da expansão

Outras big techs seguem o mesmo caminho. A Microsoft anunciou US$ 20,5 bilhões para a Índia em quatro anos, sobretudo em data centers de IA. O Google planeja uma unidade de US$ 15 bilhões em Andhra Pradesh, alvo de ambientalistas que citam riscos à vida selvagem, à água e à energia e alegam uso não autorizado de terreno de um templo. A empresa e o governo estadual negam irregularidades.

O custo local já aparece no mercado imobiliário. O corretor Atul Jadhav disse que a preocupação com vista e valorização pode pressionar os preços de revenda na região. Sharad Agarwal, CEO da Sify Infinit Spaces, operadora de 14 data centers, afirmou que nunca instalaria uma unidade em área residencial. Em 2024, a própria Amazon suspendeu na Virgínia, nos EUA, uma proposta de três instalações, alegando precisar de mais tempo para dialogar com a comunidade.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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