sábado, 3 de outubro de 2026 · Edição diária

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Deloitte: 75% das empresas de consumo esperam lucrar com IA, mas só 18% já veem receita

Estudo da Deloitte com 963 executivos do setor mostra que 75% projetam alta de receita com inteligência artificial, mas só 18% já registram ganho financeiro. Em 82% das empresas, os cargos ainda não foram redesenhados para a tecnologia.

Corredor de supermercado com prateleiras de produtos de consumo
Indústria de consumo amplia o uso de IA, mas ainda converte pouco em receita, segundo a Deloitte. Foto: Pexels / Nicolás Rueda

A maior parte das empresas de bens de consumo espera ganhar dinheiro com inteligência artificial, mas poucas já ganham. De acordo com o estudo "State of AI in the Consumer Industry: The untapped edge", da Deloitte, 75% dos executivos do setor projetam aumento de receita com a tecnologia, enquanto apenas 18% relatam ganho atribuído a ela até agora. Os dados foram divulgados em reportagem da Exame neste sábado (3).

O recorte do setor de consumo faz parte de uma pesquisa global com 3.235 líderes em 24 países. Foram ouvidos 963 executivos da indústria de consumo, entre agosto e setembro de 2025. A versão global saiu em março de 2026, e a edição brasileira foi apresentada em setembro.

O acesso cresceu mais rápido que o uso

O estudo mostra uma expansão grande na distribuição da ferramenta dentro das empresas. Em um ano, a parcela de trabalhadores com acesso à IA passou de menos de 30% para cerca de 60%. O uso intenso, porém, não acompanhou: só 25% dos entrevistados dizem aplicar IA em 60% ou mais das suas tarefas.

Paulo de Tarso, líder da indústria de consumo na Deloitte, afirmou que o setor deixa de tratar a IA como experimento. Os números do próprio levantamento indicam, no entanto, que a transição ainda está no começo.

Cargos intactos e governança imatura

A principal explicação para o descompasso está na organização do trabalho. Segundo a Deloitte, 82% das empresas não redesenharam funções em torno da inteligência artificial. A tecnologia entra, mas as tarefas, as metas e os fluxos continuam os mesmos.

A governança também está atrasada. Apenas 20% dos respondentes afirmam ter modelos maduros para supervisionar o uso de IA. Entre as barreiras listadas no estudo estão a falta de habilidades profissionais, o preparo dos dados, os controles frágeis sobre agentes autônomos e as preocupações com privacidade e segurança, apontadas por 75% dos líderes.

Agentes e IA física são a próxima aposta

A expectativa das empresas aponta para sistemas que executam tarefas com autonomia. Hoje, 24% usam agentes de IA em nível moderado ou superior. Em dois anos, a projeção é de 73%. No caso da chamada IA física, que inclui robôs e sistemas em operações de campo e fábrica, 65% já usam e 87% esperam usar.

Os dois saltos dependem justamente do que o levantamento mostra como ponto fraco: controles claros, dados organizados e equipes preparadas. Um agente que age sem supervisão amplia o risco de erro em uma empresa sem governança madura.

O que a diferença entre 75% e 18% cobra das diretorias

Para quem investe, a leitura prática é que acesso à ferramenta não basta para gerar retorno. Os 18% que já registram receita com IA tendem a ser as empresas que conectaram a tecnologia a processos definidos, e o estudo coloca a reorganização de funções entre os gargalos centrais. O prazo de dois anos projetado para os agentes dá a medida da urgência: quem não redesenhar cargos e criar regras de supervisão até lá entra na fase seguinte com a mesma lacuna entre expectativa e resultado.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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