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Senado vota fim da escala 6x1 nesta quarta e precisa de 49 votos para avançar

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, marcou para quarta-feira (14) o primeiro turno da votação da PEC que extingue a escala 6x1, mas o texto só avança com 49 dos 81 votos e depende de um acordo ainda incerto para ser concluído antes do segundo turno das eleições, em 25 de outubro.

Plenário do Senado Federal em sessão de votação
Senado realiza nesta quarta-feira (14) a votação em primeiro turno da PEC que extingue a escala 6x1. Foto: Pexels

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para esta quarta-feira (14) a votação em primeiro turno da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1, segundo informações da SBT News e do Diário de Pernambuco. A sessão será semipresencial, com participação remota liberada aos senadores.

Por se tratar de uma emenda à Constituição, o texto só avança se obtiver 3/5 dos votos da Casa, ou seja, 49 dos 81 senadores, em dois turnos de votação. Entre os dias 5 e 8 de outubro, o Senado realizou três das cinco sessões de discussão exigidas pelo regimento antes da votação; as outras duas estão previstas para a próxima semana.

O que a PEC muda na jornada de trabalho

A proposta elimina a escala 6x1, hoje comum no comércio e em serviços, e passa a exigir ao menos dois dias de folga semanais sem desconto no salário, reduzindo a jornada máxima de 44 para 40 horas. Integrantes do governo pretendem fazer um trabalho de convencimento para aprovar regras específicas de transição para setores com rotinas de trabalho mais rígidas.

A disputa pelo calendário antes do segundo turno

A líder do governo Lula no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), vem reunindo assinaturas para um requerimento de calendário especial que quebre o interstício regimental entre os dois turnos de votação. A ideia é concluir a PEC antes de 25 de outubro, data do segundo turno das eleições presidenciais. A oposição resiste: teme que a aprovação antes da votação beneficie o presidente Lula na disputa.

Alcolumbre disse que, até agora, nenhum pedido formal de aceleração chegou à Mesa do Senado.

Segundo o presidente do Senado, se o requerimento for protocolado depois do primeiro turno, ele o levará ao plenário. Alcolumbre afirmou ainda que vai cumprir o rito combinado antes das eleições.

Quanto a mudança custa às empresas

A Confederação Nacional da Indústria estima que o fim da escala 6x1 pode elevar os custos das empresas em até R$ 267,2 bilhões por ano, o equivalente a 7% da folha de pagamento, caso a redução de jornada seja compensada por novas contratações. Se as empresas optarem por pagar hora extra, o custo calculado pela entidade cai para R$ 178,2 bilhões ao ano. A CNI projeta ainda perda de R$ 76 bilhões no PIB, queda de 0,7%, com recuo de 1,2% no PIB industrial.

A Confederação Nacional do Comércio calcula aumento de 21% nos custos da folha de pagamento e repasse de até 13% aos preços ao consumidor. O presidente da CNI, Ricardo Alban, disse ser contrário a uma discussão sobre o tema movida por interesse eleitoral, mas negou que as empresas resistam ao debate em si.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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