Estados Unidos e China anunciaram em 26 de setembro um acordo que reduz tarifas recíprocas sobre US$ 30 bilhões em mercadorias e prorroga por dois meses a trégua comercial entre as duas maiores economias do mundo. O anúncio partiu da Casa Branca e do Ministério das Relações Exteriores da China, dias depois de o presidente chinês Xi Jinping encerrar visita de Estado a Washington, iniciada em 23 de setembro, segundo o Money Times e o portal ND+.
Pelo texto, os dois países passam a aplicar tratamento tarifário mais favorável a produtos considerados não sensíveis. Os Estados Unidos ganham redução para itens agrícolas, pescados, madeira, cosméticos e equipamentos médicos vendidos à China. Do lado chinês, caem tarifas sobre pequenos eletrodomésticos, brinquedos, enfeites natalinos e assentos automotivos infantis exportados aos americanos, de acordo com o ND+. A trégua que venceria em 10 de novembro passa a valer por mais dois meses, e Pequim se comprometeu a importar ao menos 10 milhões de toneladas de carvão americano por ano em 2027 e 2028, segundo o jornal Gazeta do Povo.
Um canal para incidentes de inteligência artificial
O acordo cria também o Diálogo China-EUA sobre Inteligência Artificial, espaço para os dois governos trocarem informações sobre riscos e benefícios da tecnologia. Uma segunda rodada de conversas está marcada para novembro. Os países abriram ainda um canal batizado de Diálogo EUA-China sobre Superinteligência, destinado a tratar incidentes envolvendo sistemas de IA que possam afetar a segurança nacional das partes, segundo o ND+.
A disputa pela soja que chega ao Brasil
O trecho do acordo com maior efeito sobre o Brasil não está nos US$ 30 bilhões em tarifas, mas em um compromisso à parte que a China já havia assumido com os Estados Unidos antes da visita de Xi Jinping: comprar ao menos 25 milhões de toneladas de soja americana por ano entre 2026 e 2028, além de US$ 17 bilhões anuais em outros produtos agrícolas dos Estados Unidos, segundo blog de agronegócio da CNN Brasil.
Nas duas semanas anteriores à visita de Xi Jinping, as compras chinesas de soja americana haviam caído para menos de cinco carregamentos, ante uma média de 20 carregamentos por semana em agosto, segundo dados de Reuters, S&P Global, Bloomberg e AgRural citados pela CNN Brasil. Com a aproximação entre Washington e Pequim, o mercado espera que a China retome o ritmo de compras à soja americana, mesmo com a commodity dos Estados Unidos sujeita a tarifa total de 13% na entrada chinesa, contra 3% cobrados sobre a soja brasileira.
O preço que já aparece no porto de Paranaguá
O impacto imediato tende a ser limitado porque 90% da safra brasileira 2025/26 já havia sido comercializada até o fim de setembro, acima da média de 88% dos últimos cinco anos, segundo a CNN Brasil. Ainda assim, a soja negociada pelo porto de Paranaguá já opera com prêmio de US$ 1,35 por bushel sobre o preço em Chicago, e alguns embarques brasileiros custam mais caro que a soja despachada pelo Golfo do México.
Com tarifa menor, o Brasil ainda assim perde parte da vantagem de preço que sustentou suas vendas à China durante o período de maior atrito comercial entre americanos e chineses. A China segue dependente do volume que só a produção brasileira consegue oferecer, mas passa a ter mais alternativas sobre quando e de quem comprar, o que reduz o poder de negociação dos exportadores do país na safra que começa a ser fechada a partir de outubro.
Fontes consultadas
- Money Times — China e EUA concordam em dialogar sobre IA e reduzir tarifas sobre US$ 30 bilhões em mercadorias durante visita de Xi
- Gazeta do Povo — EUA e China selam acordo comercial e reduzem US$ 30 bilhões em tarifas
- ND+ — China e EUA reduzem tarifas em US$ 30 bilhões e criam diálogo sobre IA; veja os acordos entre Xi e Trump
- CNN Brasil — China reduz soja do Brasil e volta a abrir espaço para os EUA



