sexta-feira, 9 de outubro de 2026 · Edição diária

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Firmus cancela IPO de US$ 5 bilhões após demanda morna e expõe cautela com data centers de IA

A australiana Firmus, apoiada pela Nvidia, suspendeu nesta sexta-feira (9) a oferta de ações de US$ 5 bilhões depois que investidores retiraram ordens e passará a buscar capital no mercado privado.

Corredor de servidores em um data center
A Firmus opera data centers de IA alugados em Melbourne e Singapura e planejava construir mais cinco na Ásia-Pacífico. Foto: Pexels / Brett Sayles

A Firmus, operadora australiana de data centers apoiada pela Nvidia, suspendeu nesta sexta-feira (9) o IPO de US$ 5 bilhões que preparava na Austrália, segundo a Reuters, em reportagem reproduzida pela CNN Brasil. A decisão veio dois dias depois de investidores retirarem ordens na quarta-feira (7), sinal de que a demanda pela oferta era morna.

Se tivesse sido concluída, a operação seria a segunda maior oferta de ações da história da Austrália e a quarta maior do mundo em 2026, de acordo com a Dealogic, atrás apenas de SpaceX, CXMT Corp e Cerebras Systems. Os cofundadores Oliver Curtis e Tim Rosenfield disseram, em carta aos acionistas, que a empresa buscará capital em mercados privados. A Firmus não comentou a possibilidade de uma listagem posterior na Nasdaq.

O preço que o mercado não aceitou

O preço inicial previsto era de A$ 11 por ação, o que daria à empresa valor de mercado de US$ 30,6 bilhões. Em agosto, após uma rodada de financiamento, a Firmus havia sido avaliada em US$ 10,5 bilhões. Analistas citados pela Reuters estimam dívida de cerca de US$ 30 bilhões e valor de mercado de US$ 60 bilhões.

As dúvidas dos investidores, segundo a agência, giravam em torno do endividamento elevado, da falta de experiência da empresa na construção de data centers de IA e da saída de um parceiro importante. O CEO da CDC Data Centres, Greg Boorer, afirmou que o plano de 1,6 gigawatt com a Firmus, avaliado em A$ 73 bilhões, não avançava mais. Havia ainda a possibilidade de que mais da metade das ações fosse vendida por acionistas atuais já no primeiro dia.

Joseph Koh, da Blackwattle Investment Partners, disse que o mercado foi chamado a pagar um preço muito alto por resultados futuros. Oscar Oberg, da Wilson Asset Management, classificou o desfecho como decepcionante e afirmou que o mercado se manifestou. Jun Bei Liu, da Ten Cap, avaliou o caso como um alerta para o boom de IA, mas não como o começo do fim do setor.

O que a Firmus tem de concreto

A empresa, fundada em 2019, opera dois data centers alugados, em Melbourne e Singapura, e planeja construir mais cinco na Ásia-Pacífico. O prospecto projetava lucro anual de US$ 5 bilhões com essas instalações em cinco anos. Entre os apoiadores estão Nvidia, Coatue Management, Blackstone e Jane Street, e a oferta era coordenada por Bank of America, JPMorgan, Morgan Stanley e Morgans.

Quem sente o recuo primeiro

A Firmus chegou a avaliar uma redução de preço, mas optou pela rodada privada. A Bloomberg informou que a empresa estuda captar até US$ 3 bilhões de investidores atuais, o que deixa o financiamento da expansão nas mãos de quem já está dentro do negócio.

O episódio ocorre num mercado mais nervoso. Segundo a Reuters, as fabricantes de chips dos EUA acumulam alta de mais de 80% em 2026, mas caíram 3,4% na quinta-feira (8), depois que a OpenAI revisou para baixo sua receita anualizada de setembro, que ficou perto de US$ 50 bilhões. A mesma reportagem registra que a Anthropic busca levantar até US$ 100 bilhões em um IPO, de modo que a próxima grande oferta do setor enfrentará investidores que acabaram de recusar um preço considerado alto.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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