Interlocutores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, procuraram o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, para discutir o cenário pós-eleitoral, segundo reportagem da colunista Andreia Sadi, do g1, publicada neste domingo (11). O movimento amplia uma aproximação que já havia começado pelo coordenador de campanha e deputado eleito ao Senado Rogério Marinho (PL), que se reuniu com o presidente do STF, Edson Fachin, para apresentar queixas semelhantes.
Segundo a coluna, o recado passado a Gilmar Mendes é de que não há interesse em promover um confronto institucional com a Corte, apesar de o impeachment de ministros do STF ser uma das principais bandeiras do bolsonarismo e de senadores eleitos pelo PL. Os interlocutores afirmam não querer briga nem desgaste com o Judiciário, mas reconhecem que a nova composição do Senado pode fortalecer a pressão por afastamento de magistrados.
Por que o impeachment ainda está na mesa
O discurso de conciliação convive com declarações mais duras de parlamentares do PL recém-eleitos. O deputado eleito ao Senado Gustavo Gayer (PL-GO) disse à Gazeta do Povo: "O recado que já está sendo dado para o STF é o seguinte: o Moraes vai cair. Não existe a possibilidade de ele ficar." Rogério Marinho, por sua vez, criticou em entrevista o fato de ministros do Supremo terem se colocado, segundo ele, no centro do debate político do país.
Esse duplo discurso, de aproximação por um lado e ameaça por outro, reflete a disputa interna no PL sobre qual estratégia adotar com o Judiciário caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Alexandre de Moraes é o alvo mais direto das ameaças de afastamento, por ser o relator de processos ligados a Jair Bolsonaro.
O interesse do outro lado do Supremo
A reportagem de Andreia Sadi aponta que a aproximação também interessa a setores do próprio STF, incluindo o entorno de Moraes. Nos bastidores, avalia-se que agendas comuns entre parte da Corte e um eventual governo de Flávio Bolsonaro poderiam abrir caminho para negociações mais amplas sobre a relação entre os Poderes.
O diálogo com o Supremo não é inteiramente novo. Fachin já havia recebido Flávio Bolsonaro em reunião em maio deste ano, antes do início mais agudo da disputa eleitoral, o que indica que os dois lados vêm testando canais de comunicação desde antes do primeiro turno.
O calendário que pode detonar a crise institucional
O ponto de tensão concreto é o início do mandato do novo Congresso, em fevereiro de 2027. É a partir dessa data que senadores favoráveis ao impeachment de ministros do STF teriam, em tese, força regimental para protocolar e levar adiante pedidos de afastamento, caso a composição do Senado eleito em outubro mantenha a maioria favorável ao PL. Esse prazo é o que torna urgente, para aliados de Flávio Bolsonaro, abrir canais com a Corte antes da posse, na tentativa de evitar que a disputa eleitoral vire imediatamente uma crise entre Poderes com potencial de afetar a previsibilidade política e econômica do início de um eventual governo.


