segunda-feira, 12 de outubro de 2026 · Edição diária

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Kristalina Georgieva diz que boom da IA é inflacionário e reúne o FMI na Tailândia até domingo

A diretora-gerente do FMI abre nesta semana a reunião anual do Fundo em Bangcoc e diz que o investimento em inteligência artificial e o choque nos preços de energia puxam a inflação mundial em direções opostas.

Kristalina Georgieva discursa em evento do FMI
Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI, abriu a semana de discussões sobre inflação, IA e clima na reunião anual do Fundo em Bangcoc. Foto: Europäische Kommission - Audiovisueller Dienst, Xavier Lejeu / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Autoridades financeiras e presidentes de bancos centrais de todo o mundo começam nesta segunda-feira (12) a reunião anual do Fundo Monetário Internacional em Bangcoc, capital da Tailândia, com encontros previstos até domingo (18). Segundo reportagem do Valor Econômico, a pauta da semana gira em torno de três temas: inflação, inteligência artificial e mudanças climáticas.

É a primeira vez em mais de três décadas que a Tailândia sedia o evento. A última ocasião foi antes da crise financeira asiática de 1997. As reuniões anuais do FMI costumam ocorrer em Washington por dois anos seguidos e, a cada três anos, migram para um país-membro. Na Ásia, a última edição fora da sede americana aconteceu em 2018, na ilha de Bali, na Indonésia.

A inflação que o petróleo reacende na Ásia

O economista-chefe do Dai-ichi Life Research Institute, em Tóquio, Toru Nishihama, disse que muitos países vão enfrentar decisões de política monetária mais difíceis, porque a alta do petróleo empurra a inflação de energia. O conflito prolongado no Oriente Médio elevou os preços de energia e pressionou a inflação em economias dependentes de importação, como Japão, Coreia do Sul e Singapura.

Os bancos centrais caminham sobre uma corda bamba. Alguns aceleraram o ritmo de alta de juros para conter os preços, enquanto outros adiam novos aumentos com medo de travar o crescimento. Nishihama disse ainda que o patamar elevado dos juros globais tem direcionado mais capital para investimentos em inteligência artificial e semicondutores, o que aumenta a disputa por recursos com outras prioridades, como energia e infraestrutura.

Georgieva vê a IA como força inflacionária

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou em discurso de abertura em Cingapura, na quarta-feira, que a economia global está sendo puxada em duas direções: um choque negativo na oferta de energia e um choque positivo na demanda, impulsionado pela inteligência artificial. Segundo ela, o impacto combinado dessas duas forças varia bastante entre regiões do mundo.

Georgieva afirmou que o boom na construção de infraestrutura de inteligência artificial é inflacionário, assim como os choques nos preços de energia e alimentos. Tarifas, gastos com defesa e dívida pública elevada, disse a dirigente, também podem pressionar os preços para cima. Ela pediu planos críveis de consolidação fiscal a médio prazo nas economias avançadas, diante da alta dos rendimentos dos títulos públicos em vários países.

O encontro ocorre pouco depois de fortes enchentes atingirem Bangcoc e a região metropolitana, o que levou autoridades tailandesas a preparar planos de contingência para o caso de novas chuvas durante a semana de reuniões. O fenômeno El Niño, com duração prevista até fevereiro de 2027, já provocou seca em partes da Indonésia, um período recorde de 37 dias de chuva em Tóquio e uma inundação grave no norte do Nepal.

Quem sente primeiro o aperto dos juros

O economista Makoto Saito, do NLI Research Institute, do Japão, disse que a Ásia está particularmente exposta a choques externos pelos canais de comércio, energia e finanças. Para países importadores de energia, como Japão, Coreia do Sul e Singapura, a alta do petróleo tende a chegar primeiro aos preços de combustível e eletricidade, apertando o espaço dos bancos centrais para cortar juros sem pressionar ainda mais os preços.

A programação da semana inclui a divulgação do relatório Perspectiva Econômica Mundial do FMI, uma sessão plenária e uma conversa informal com o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. Ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 se reúnem paralelamente na quinta-feira. Anfitriã do evento, a Tailândia aposta no encontro para atrair investimento em tecnologia avançada: o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Ekniti Nitithanprapas, disse que o país é o lugar ideal para investir em meio aos conflitos geopolíticos em curso.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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