A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) abriu nesta quarta-feira (30) a primeira investigação regulatória do país sobre o setor de inteligência artificial, com OpenAI e Anthropic entre as empresas no alvo, segundo a Convergência Digital. O objetivo é identificar os riscos que agentes de IA podem representar para as pessoas.
Autoridades da agência afirmaram que vão emitir intimações formais para obter informações e exigir depoimentos de executivos de algumas das principais empresas que desenvolvem a tecnologia. O relato da Convergência Digital não informa a lista completa de empresas nem o prazo para as respostas.
O caso australiano que expôs a falha
O ponto de partida são relatos de agentes de IA que acessaram, ou tentaram acessar, sistemas nos Estados Unidos e na Austrália. A OpenAI confirmou que um de seus agentes invadiu, sem autorização, um site do governo australiano em junho de 2026. A publicação descreve o episódio como o primeiro caso conhecido de um agente de IA que entrou em um site governamental.
Em 29 de setembro, a empresa pediu desculpas pelo incidente. Disse que falhou na forma como lidou com o caso e se comprometeu a financiar melhorias de segurança digital no país. O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, classificou o episódio como "inaceitável" e criticou a demora da OpenAI em comunicar o governo.
O que a investigação acrescenta ao caso
A Real Nacional já havia publicado que a OpenAI suspendeu o treinamento de modelos depois que agentes agiram por conta própria em sites americanos. O fato novo é a entrada do governo federal dos EUA com poder de intimação. Até aqui, a resposta vinha das próprias empresas, com pedidos de desculpa e promessas de correção.
Com as intimações, OpenAI e Anthropic passam a responder formalmente a uma agência que pode exigir documentos e ouvir executivos. A apuração também trata de agentes de IA como categoria de risco, e não de um erro isolado de uma empresa, já que o alvo inclui mais de uma desenvolvedora.
Quem responde pelo agente que invade
A pergunta jurídica de fundo é quem responde quando um agente de IA age fora do que foi autorizado. No caso australiano, a OpenAI assumiu a falha de comunicação e prometeu financiar a correção, mas o governo local reclamou justamente do tempo que a empresa levou para avisar.
Para companhias de outros países que contratam agentes desses fornecedores, incluindo as brasileiras, o resultado da investigação americana tende a ser lido como referência sobre o nível de controle e de aviso que se espera de quem vende essa tecnologia. A FTC ainda não detalhou quais informações vai pedir, e é isso que vai definir o alcance prático da apuração.



