sábado, 3 de outubro de 2026 · Edição diária

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Gartner prevê que 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até 2027

A consultoria Gartner estima que 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o fim de 2027, e só cerca de 130 fornecedores entregam tecnologia genuinamente autônoma, segundo a Exame.

Executivos analisam gráficos de investimento em inteligência artificial em uma sala de reunião
Previsão da Gartner aponta que quatro em cada dez projetos de agentes de IA não chegarão a 2028. Foto: Pexels / Tope J. Asokere

A Gartner prevê que 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o fim de 2027, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (2) pela Exame. O motivo é a combinação de custo alto e retorno incerto, o que coloca o diretor financeiro no papel de decidir quais apostas sobrevivem.

IA agêntica é a categoria de sistemas que executam tarefas e tomam decisões com pouca intervenção humana, como aprovar pagamentos, conciliar contas ou negociar com fornecedores. É a promessa que sustenta boa parte dos orçamentos corporativos de tecnologia hoje.

O problema do agent washing

De acordo com a Exame, a Gartner estima que apenas cerca de 130 empresas oferecem soluções genuinamente agênticas, num universo de milhares de fornecedores que vendem a tecnologia. A consultoria chama a prática de agent washing: rebatizar assistentes virtuais, chatbots e automações antigas como agentes de IA.

A reportagem acrescenta que a maioria desses sistemas não aprende com o uso nem se adapta ao contexto de cada empresa. Quem compra um produto assim paga preço de agente por uma automação convencional, e o ganho prometido não aparece no balanço.

Adoção cresce, retorno ainda é raro

Os números de adoção são altos. Na pesquisa State of AI 2026, da McKinsey, feita em maio e junho, 89% dos executivos disseram usar IA em pelo menos uma área do negócio. Entre as empresas com faturamento acima de US$ 1 bilhão, 40% já escalam agentes de IA, ante 27% um ano antes.

O resultado financeiro vem bem mais devagar. Ainda na McKinsey, 37% dos executivos atribuem algum impacto no lucro operacional ao uso de IA, e só 6% das empresas se enquadram como alto desempenho na tecnologia.

O estudo The GenAI Divide, do MIT (projeto NANDA), foi mais duro: 95% das organizações não obtiveram retorno com IA generativa, e apenas 5% das ferramentas corporativas feitas sob medida chegaram à operação. O projeto estima o investimento global entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões.

As áreas financeiras seguem o mesmo padrão. Num levantamento de março com líderes de finanças citado pela Exame, 84% já implementaram ou planejam implementar IA, mas só 7% relatam impacto alto ou muito alto. Em 45% dos projetos o objetivo é produtividade, e em 20% é melhorar a qualidade das decisões.

Quem decide o que sobrevive

A própria Gartner projeta que, até 2028, 15% das decisões do dia a dia nas empresas serão tomadas de forma autônoma por agentes de IA, e que um terço dos softwares corporativos terá recursos agênticos. Em 2024, esse índice de decisões autônomas era praticamente zero.

Na prática, o ciclo que se desenha é de cortes seletivos dentro de uma tendência de expansão. Projetos sem métrica de retorno definida, contratados de fornecedores que só renomearam produtos antigos, tendem a ser os primeiros a perder verba quando o financeiro cobrar resultado. Para o empresário brasileiro, a exigência prática é pedir ao fornecedor a demonstração do que o sistema decide sozinho e medir o ganho antes de ampliar o contrato.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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