segunda-feira, 5 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Gartner: 40% das empresas podem desligar agentes de IA até 2027; só 13% têm governança

O Gartner prevê que 40% das empresas vão rebaixar ou descontinuar agentes autônomos até 2027, depois de achar falhas de controle em produção. Em abril de 2026, só 13% das organizações tinham governança adequada.

Executivos analisam painel de monitoramento de sistemas de inteligência artificial em um escritório
Previsão do Gartner aponta que falhas de governança podem levar empresas a reduzir a autonomia de agentes de IA até 2027. Foto: Pexels / Pachon in Motion

A consultoria Gartner prevê que 40% das empresas vão rebaixar ou descontinuar agentes autônomos de inteligência artificial até 2027, depois de identificar falhas de governança em sistemas que já estão em operação. A projeção foi divulgada nesta segunda-feira (5) pela Exame.

O número exige uma leitura precisa. Segundo a reportagem, o percentual se refere às empresas que tomarão essa decisão, não a 40% de todos os agentes existentes. Rebaixar significa reduzir a autonomia do sistema; descontinuar é tirá-lo de operação.

Só 13% estavam preparadas

O dado que sustenta a previsão vem do próprio Gartner: em abril de 2026, apenas 13% das organizações consideravam ter governança adequada para seus agentes. Ou seja, quase nove em cada dez empresas colocaram ou preparam sistemas autônomos sem controles que elas mesmas julguem suficientes.

A consultoria também projeta que mais de 40% dos projetos de IA agêntica podem ser cancelados até o fim de 2027. Os motivos citados são custos elevados, valor não demonstrado e controles de risco insuficientes.

Shadow AI e o problema do inventário

Um dos obstáculos é o que a matéria chama de shadow AI: soluções de IA criadas por funcionários por conta própria, sem aprovação da área de tecnologia. Esses sistemas escapam do radar e dificultam saber o que está rodando e com que permissões.

O volume tende a crescer. De acordo com o Gartner, uma empresa média da Fortune 500 poderá ter mais de 150 mil agentes em uso até 2028. Por isso, manter um registro de todos os agentes passou a ser uma etapa básica de controle.

Controle proporcional ao risco

A recomendação do Gartner é adotar níveis diferentes de controle, conforme a autonomia de cada agente. Para sistemas que apenas consultam documentos, restrições de leitura bastam. Agentes que executam ações exigem monitoramento contínuo, mecanismo de interrupção e possibilidade de reverter o que foi feito.

Segundo a reportagem, também é preciso definir com clareza quem responde pelo comportamento do sistema. A matéria critica a visão de governança como escolha binária, em que a empresa ou bloqueia tudo ou confia sem controles.

O que muda para o orçamento de IA

Para diretores de tecnologia e finanças, a previsão indica que parte do investimento em agentes pode ser desfeita se os controles chegarem depois da implantação. Quem ainda não tem inventário, responsável definido e forma de interromper um agente em produção terá de montar essa estrutura antes de ampliar o uso, sob risco de ver o projeto entrar na fatia que o Gartner espera ver cancelada.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.