O Google, de Sundar Pichai, anunciou nesta quarta-feira (9) um investimento de pelo menos 13 bilhões de euros (cerca de US$ 15,1 bilhões) em infraestrutura de inteligência artificial na Finlândia, o maior cheque isolado da empresa na Europa. O comunicado saiu no Press Corner do Google Cloud e foi repercutido no mesmo dia pelo Quartz e pela DW. O capital entra em 2027 e 2028, em data centers e obras de apoio em Hamina, Kajaani, Muhos e Vaala.
Na fase de obras, a empresa estima 3,6 bilhões de euros por ano no PIB finlandês e mais de 37 mil empregos. Quando as instalações estiverem no ar, projeta 7 mil postos permanentes, com salário médio 24% acima da mediana do país. Os novos sites devem alimentar Gemini, Busca, Maps e YouTube. O Google opera na Finlândia há mais de 15 anos, desde que transformou uma antiga fábrica de papel em Hamina num data center, em 2009.
O pacote inclui um acordo de 22 anos com a Fortum para estender a vida da usina nuclear de Loviisa, que hoje entrega cerca de 10% da eletricidade do país e emprega 580 pessoas. Sem o contrato, a planta não seguiria depois de 2030. Ruth Porat, presidente e diretora de investimentos da Alphabet e do Google, chamou o modelo de "traga a própria energia" e disse que é o primeiro acordo nuclear da casa fora dos Estados Unidos. As ações da Fortum subiram mais de 11% no dia.
O Google também fechou PPAs de eólica onshore com Valorem e Suomen Hyötytuuli, elevando a capacidade contratada nova na rede a 629 MW, e um sistema de baterias de 94 MW perto de Kajaani, previsto para o fim de 2027. A escolha do norte, segundo a empresa e a operadora Fingrid, usa rede já existente perto de energia livre de carbono e evita reforços caros no sul.
O primeiro-ministro Petteri Orpo classificou o movimento como histórico e afirmou que a Finlândia vira referência em digitalização e IA. A inteligência finlandesa, a SUPO, alertou que data centers de capital estrangeiro carregam risco de segurança. O Google prometeu 31 milhões de euros em quatro anos para educação e comunidade nas quatro cidades, com 10 milhões para pesquisa.



