quinta-feira, 10 de setembro de 2026 · Edição diária

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Reino Unido precisa de lei nova para IA na saúde, diz chefe da MHRA

Lawrence Tallon, da agência que regula medicamentos e dispositivos, entregou 44 recomendações. Disse à BBC que o paciente do NHS vai ver IA no cuidado de rotina e que as regras de hoje nasceram na era do joelho artificial.

Lawrence Tallon, diretor-executivo da MHRA, em retrato oficial de 2026.
Lawrence Tallon, chefe da MHRA: a agência britânica pede lei nova para produtos de IA na saúde, com 44 recomendações publicadas nesta quinta. Foto: MHRA / Crown copyright (Open Government Licence v3.0)

O Reino Unido precisa de regras novas para produtos de inteligência artificial usados no NHS e em outros serviços de saúde, afirmou nesta quinta-feira (10) Lawrence Tallon, diretor-executivo da Medicines and Healthcare products Regulatory Agency, a MHRA. Em entrevista à BBC, Tallon disse que o paciente vai ver a IA cada vez mais no cuidado de rotina e que isso só se sustenta se a confiança permanecer. A agência publicou 44 recomendações de uma comissão independente que ouviu mais de 12 mil pessoas, entre pacientes e clínicos.

Tallon lembrou que o marco atual de dispositivos médicos nasceu na época de prótese de quadril, joelho, estetoscópio e curativo. Serve para um software simples treinado para achar um sintoma conhecido num exame. Não cobre modelos que continuam a mudar depois da autorização. "À medida que entram dados novos, eles aprendem, se adaptam, driftam", disse. Nenhum país, segundo ele, pode apontar um regime e afirmar que já resolveu o problema.

Entre as propostas estão monitoramento contínuo, com retirada da aprovação se o produto falhar ou perder eficácia; direito do paciente de saber se a IA entra no seu cuidado e de acessar informação sobre a ferramenta; poder de punir o desenvolvedor que não cumprir o padrão; e um sistema de "placa L", como a de aprendiz, para testar modelos novos sob supervisão apertada.

Escritores de notas baseados em modelos de linguagem já estão em cerca de 40% dos consultórios de clínica geral no Reino Unido. Um estudo da Universidade de Edimburgo mostrou que o paciente pode se calar sobre abuso de substância se souber que a conversa passa por IA. A médica Henrietta Hughes, da comissão, disse que muita gente aceita a ferramenta na consulta e que quem recusa também está no direito: "Alguns dizem que não querem falar com um robô, e tudo bem".

O oftalmologista Alastair Denniston descreveu a tecnologia como oportunidade excepcional, no mesmo patamar de antibiótico e ressonância. O risco, no outro extremo, é viés nos dados de treino e conselho médico errado de chatbot. Tallon resumiu o recado: a IA vai entrar no NHS. A lei precisa acompanhar o produto que muda depois de autorizado.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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