O designer gráfico Danny Williams, de East Yorkshire, no Reino Unido, afirmou nesta quinta-feira (10) que está perdendo encomenda porque pequenas empresas passaram a gerar cartaz, pack e post com inteligência artificial. Em entrevista à BBC, Williams disse que entende o corte: na crise, o caixa não cobre designer nem kit de mídia. "Com empresas menores, o dinheiro não está lá para design gráfico ou pacotes grandes de mídia."
Há 15 anos, quando começou, o mercado pedia designer. Agora o recado é outro. "Estou recebendo menos trabalho agora, para ser honesto." Williams admite que a IA ficou mais acessível e que o setor precisa se adaptar. O que ele não engole é a repetição: os cartazes saídos da máquina, segundo ele, já enjoaram. "A maioria das pessoas está farta de ver isso. Mais barato nem sempre é melhor. No fim, é a cara do seu negócio."
Do outro lado do balcão, Claire Howlett, dona do pub The King's Head, em Pollington, na mesma região, usa IA na maior parte do conteúdo de redes. "Fiz toda a publicidade sozinha até agora. Talvez no futuro, se o negócio crescer, eu contrate um designer, mas as ferramentas de IA disponíveis servem no momento. Você quer a melhor opção, a mais barata e a mais conveniente, que hoje é a IA."
Stephen Woodford, presidente da Advertising Association britânica, descreveu a adoção como mudança rápida e cobrou regra. Publicidade, disse, precisa ser decente, honesta e verdadeira. A IA é "enormemente capaz", mas "há coisas que ela não faz". Quem coloca material no ar em nome de uma marca precisa ter certeza de que representa o negócio com integridade e dentro da lei.
Williams aposta num refluxo. "Acredito que a coisa vai dar a volta porque as pessoas estão literalmente farta de ver IA e não confiam em IA." O recado bate com a queixa de quem vive de criação: o cliente pequeno achou um atalho barato. O atalho, por enquanto, está ganhando.



