O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu nesta sexta-feira (25) a proibição definitiva das bets anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que o momento político para o debate no Congresso é o melhor possível. Em conversa com jornalistas antes de um jantar com empresários em São Paulo, o ex-ministro da Fazenda classificou as apostas on-line como uma questão insustentável no país.
Haddad disse que o incômodo de Lula com o setor cresceu com indicadores de endividamento e dependência. "Fomos acumulando conhecimento sobre isso, informações, e aí o presidente formou o juízo", afirmou. Questionado se o anúncio a nove dias do primeiro turno seria oportuno, respondeu que sim: o tema precisa de apoio popular para vingar, e a mobilização da sociedade fortalece a pressão sobre o Legislativo.
O próprio candidato, porém, alertou que a aprovação não será fácil. "Não vai ser fácil aprovar essa medida. Ela é uma medida que fere muitos interesses", declarou. Segundo ele, a palavra final sobre o fim das bets é do Congresso, e o governo deve aproveitar o engajamento público para sensibilizar deputados e senadores.
A medida provisória assinada por Lula foi publicada em edição extra do Diário Oficial na noite de sexta. Os sites de apostas devem sair do ar a partir de 6 de outubro, com prazo até 5 de outubro para resgate de saldos. Em paralelo, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei que criminaliza a exploração e a divulgação de bets, com penas de 4 a 6 anos. A MP precisa ser aprovada em até 120 dias para não caducar; a cúpula do Congresso ainda não definiu o calendário e deve tratar do tema após o primeiro turno.



