A Harbor, startup de São Francisco, informou ter captado US$ 10 milhões em uma rodada inicial liderada por Base10 Partners, Abstract e 8VC, de acordo com a Exame. A empresa quer vender a companhias um pacote que mede o risco de agentes de inteligência artificial, bloqueia ações que violam regras internas e cobre com seguro as perdas que restarem.
A lógica nasce de um problema contratual. Segundo o cofundador Jesús Santos, apólices tradicionais passaram a trazer cada vez mais exclusões ligadas a IA, e quem opera o agente costuma ficar com o risco que o contrato não repassa ao fornecedor. Ele afirmou que limites de responsabilidade de cerca de 12 meses são comuns, dependendo do acordo.
Como a Harbor precifica um risco sem histórico
Seguradoras calculam prêmio com base em sinistros passados, e agentes de IA ainda não têm um histórico longo. A Harbor tenta contornar isso analisando a arquitetura de cada agente: o modelo usado, as ferramentas, os dados e as permissões que ele recebe. Também examina os registros das decisões tomadas.
A avaliação usa uma estrutura de 45 riscos, desenvolvida com parceiros de pesquisa, entre eles o Stanford AI Safety Lab, e é comparada com uma base de testes e dados públicos. O agente é reavaliado a cada mudança. Santos disse que um teste feito em junho não mostra como o agente opera em setembro.
Bloqueio em menos de 100 milissegundos
Na ponta operacional, os modelos da empresa avaliam cada ação entre a decisão do agente e a execução, em menos de 100 milissegundos, segundo a Harbor. O exemplo hipotético dado pela startup é o de um reembolso de US$ 7.200, que seria barrado por passar do limite de US$ 5.000 a partir do qual se exige aprovação humana.
A apólice cobre seis categorias de falha: alucinações, ações não autorizadas, viés e discriminação, descumprimento de contratos e de níveis de serviço, vazamento de dados, e violações de propriedade intelectual e difamação. Santos disse que a Harbor cuida da precificação e da subscrição, enquanto seguradoras parceiras, que a empresa não identificou, assumem o risco financeiro.
O que ainda falta saber para o mercado brasileiro
A Harbor atua em três regiões: Estados Unidos, Europa e América Latina. A empresa disse estar em conversas com três dos cinco maiores bancos latino-americanos, sem revelar nomes, e não confirmou clientes pagantes na região nem no Brasil.
Também não há informação pública sobre preço das apólices, franquias, limites de indenização, exclusões ou o nome das seguradoras. Sem esses dados, um banco brasileiro não consegue comparar o produto com o custo de manter o risco dentro de casa.
Para o setor financeiro, o interesse prático está em quem responde quando um agente erra. Bancos que já testam agentes em atendimento, crédito e reembolsos hoje absorvem a perda quando o contrato com o fornecedor limita a responsabilidade. Um seguro específico, se sair do papel por aqui, transfere parte dessa conta para uma seguradora, mas só depois de o agente passar pela avaliação e pelo bloqueio em tempo real que a Harbor exige.



