quarta-feira, 14 de outubro de 2026 · Edição diária

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Hassabis, do Google DeepMind, dá prazo de 1 a 2 anos para ataques de IA virarem problema sério

Em Dublin, o chefe do Google DeepMind afirmou que invasões feitas por agentes de IA ainda são sinais precoces porque os sistemas não são tão poderosos, mas podem se agravar em até dois anos sem mais trabalho de segurança. Ele propôs uma certificação proporcional ao risco, e o presidente da Microsoft pediu novas leis.

Demis Hassabis, que comanda o Google DeepMind, durante evento sobre inteligência artificial
Hassabis falou nesta quarta-feira (14) em uma conferência de IA em Dublin, na Irlanda. Foto: Jennifer 8. Lee / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O executivo Demis Hassabis, que comanda o Google DeepMind, afirmou nesta quarta-feira (14), durante uma conferência de inteligência artificial em Dublin, que invasões e ataques cometidos por agentes de IA são sinais de alerta precoces. De acordo com a Reuters, em texto republicado pela CNN Brasil, ele disse que esses episódios podem se tornar problemas sérios no próximo ano ou nos dois seguintes.

A leitura de Hassabis é de que o risco ainda está contido por um motivo técnico: os sistemas atuais não são tão poderosos. Por isso, os incidentes não têm hoje a gravidade que poderiam ter. Ele condicionou a piora a uma falta de esforço: se a indústria, cada empresa e os governos não trabalharem mais na segurança dos sistemas, o quadro muda em um prazo curto.

O que Hassabis quer copiar da biologia e da energia nuclear

O executivo citou áreas que já têm boas práticas para proteger sistemas críticos, como a biologia e a energia nuclear. Segundo ele, a indústria de IA ainda tem muito trabalho pela frente para chegar a um nível parecido.

Hassabis disse que, no futuro, será necessário um órgão internacional de padrões. A condição, de acordo com ele, é que as regras sejam flexíveis para não travar a inovação. Sua proposta é montar de forma dinâmica um processo de certificação proporcional aos riscos, capaz de mudar rapidamente conforme a tecnologia evolui.

A reportagem cita como pano de fundo ataques de hackers conduzidos por agentes de IA, invasões de redes corporativas por esses agentes e a revelação da Anthropic de que um de seus modelos enviou à polícia uma denúncia falsa de homicídio. O texto não traz números nem detalhes adicionais sobre esses casos.

A cobrança de Brad Smith por leis novas

No mesmo evento, o presidente da Microsoft, Brad Smith, classificou 2026 como um ano preocupante por causa de comportamentos inadequados de sistemas de IA. Ele afirmou que novas leis e regras de segurança são urgentes para que a proteção acompanhe a velocidade da inovação, e que nenhuma empresa ou tecnologia deve estar acima da lei.

Smith também falou da resistência de parte do setor à regulação. De acordo com ele, essa aversão é algo que a indústria precisa superar. A fala contrasta com a de Hassabis em um ponto: o chefe do DeepMind pede cuidado para que o padrão não sufoque a inovação, enquanto o da Microsoft pressiona por regras com urgência.

Por que isso chega ao debate brasileiro

O Brasil discute o marco legal da IA no PL 2338, e as empresas que operam agentes de IA em bancos, varejo e serviços públicos usam modelos das companhias que agora pedem padrões. Uma certificação proporcional ao risco, como a descrita por Hassabis, é uma lógica próxima à de classificar sistemas por nível de risco, que orienta a discussão de regulação no país.

Para o empresário que já coloca agentes de IA em rede interna, o aviso de Dublin tem efeito prático: o prazo citado por Hassabis, de um a dois anos, é o horizonte em que a própria indústria admite que falhas de segurança podem deixar de ser episódios isolados.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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