A campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva reconhece a dificuldade de impedir que partidos do Centrão se aproximem formalmente de Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno e passou a trabalhar com dissidências nos estados e com o apoio de lideranças como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Segundo O Globo e o Correio Braziliense, aliados do petista avaliam que o crescimento de Flávio nas pesquisas e atritos recentes com dirigentes do bloco aumentaram a inclinação dessas legendas pelo candidato do PL. Um interlocutor do Centrão resumiu o quadro dizendo que, "a preço de hoje", essas siglas caminhariam com Flávio como "2 + 2 = 4". A federação União-PP marca reunião em Brasília para 6 de outubro, dois dias após o primeiro turno, para decidir se apoia Flávio ou permanece neutra.
No radar aparece o desgaste com Ciro Nogueira (PP-PI). Em visita a Teresina no início de setembro, Lula afirmou que seus candidatos ao Senado no Piauí são Júlio César (PSD) e Marcelo Castro (MDB) e que não aceita "vira-lata" do seu lado. A frase foi lida como indireta a Nogueira, que conduziu o PP à neutralidade no primeiro turno. Aliados do senador falam em quebra de um "pacto de não agressão"; o PT nega o acordo. A costura política fica a cargo de Edinho Silva, coordenador-geral da campanha, e do ministro José Guimarães (Relações Institucionais).
No Republicanos, a aposta passa por Motta. Nas últimas semanas o presidente da Câmara declarou apoio público à reeleição de Lula, participou de ato na Paraíba, usou boné vermelho com o nome do presidente e posou fazendo o "L" com as mãos. Em agosto, Lula se reuniu com Motta e com Marcos Pereira, presidente nacional do partido, na véspera do anúncio de neutralidade da legenda, e pediu que dirigentes não fechassem com Flávio no segundo turno antes de nova rodada de conversas, segundo relatos ao Globo.
A campanha também mira apoios individuais no PSD, sem orientação nacional clara de Gilberto Kassab, e reforça agendas estaduais: Lula deve ir a Maceió a pedido de Renan Filho e Renan Calheiros, com sinalização a Arthur Lira de que não haverá ataque direto, e a Pernambuco após apelo de João Campos. Aliados consideram a neutralidade do Centrão no primeiro turno uma conquista relevante, porque no segundo turno o tempo de TV é igual para os finalistas, mas reconhecem que o risco de adesão formal a Flávio cresceu.



