sexta-feira, 2 de outubro de 2026 · Edição diária

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Governo usa IA no SUS e no Enem, mas AWS diz faltar liderança única para priorizar a tecnologia

No Fórum Executivo Brasil Setor Público, em Brasília, o diretor da AWS no país, Paulo Cunha, disse que SUS e Ministério da Educação já usam agentes de inteligência artificial, mas que falta uma liderança única para tornar a tecnologia prioridade em todo o governo federal.

Prédio do governo federal associado a tecnologia e inteligência artificial
A AWS promoveu o Fórum Executivo Brasil Setor Público em Brasília, em 30 de setembro de 2026. Foto: Pexels

No Fórum Executivo Brasil Setor Público, realizado pela Amazon Web Services (AWS) em Brasília no dia 30 de setembro, o diretor geral de setor público Brasil da empresa, Paulo Cunha, disse que o governo federal já deu os primeiros passos rumo à inteligência artificial agêntica. Para ele, falta agora uma liderança única capaz de tornar o uso da tecnologia prioridade em todos os ministérios e órgãos públicos.

Cunha afirmou que o poder público já reúne boa parte das condições necessárias para avançar: dados estruturados, dados não estruturados e equipes em diferentes ministérios conduzindo projetos próprios de digitalização. Como exemplo, citou o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Ministério da Educação (MEC), que já usam inteligência artificial em processos internos. Segundo o executivo, o MEC também mantém um aplicativo preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que funciona com um agente de inteligência artificial.

Agentes de inteligência artificial, categoria citada por Cunha, são sistemas que executam tarefas completas de forma autônoma, sem depender de comandos a cada etapa. Diferem dos assistentes de texto mais comuns, que se limitam a responder perguntas. A AWS descreve esse tipo de ferramenta como a próxima etapa da adoção de IA no setor público.

Quem decide a prioridade

Para Cunha, falta uma liderança capaz de transformar a inteligência artificial em prioridade de governo, hoje dependente de iniciativas isoladas em cada ministério. Ele defende que a adoção da tecnologia siga um modelo único, coordenado em nível federal, em vez de avançar por decisões soltas em cada órgão.

Cunha resumiu o argumento em uma frase durante o fórum:

A fala ocorre num momento em que uma mudança na legislação de compras do setor público, feita há dois anos, já permite contratações de tecnologia por projeto, sem depender apenas de licitações tradicionais, segundo o executivo da AWS.

Por que a nuvem entra na conta

Cunha também associou a adoção da inteligência artificial à infraestrutura de computação em nuvem oferecida por empresas como a própria AWS. Segundo ele:

Para o diretor da AWS, o custo por token tende a cair conforme os órgãos públicos escolham com mais critério quais agentes de inteligência artificial vão operar em cada processo interno.

Quem paga a conta da transformação

Na prática, a falta de uma coordenação central mantém a conta da transformação digital dividida entre os orçamentos de cada ministério. SUS e MEC avançaram com projetos próprios de inteligência artificial, enquanto outras pastas federais ainda não adotaram a tecnologia no mesmo ritmo, segundo o relato de Cunha. Sem um modelo único de governo, cada órgão negocia separadamente seus contratos de nuvem e de agentes de inteligência artificial, mesmo com a nova regra de compras por projeto facilitando esse tipo de contratação.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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