segunda-feira, 28 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

AT&T dobra uso de IA de código aberto e projeta economia de até 80% no custo

A operadora americana elevou o uso de modelos abertos, como Llama e DeepSeek, de 20% para 40% das suas operações de IA e mira 60%, em busca de economia de até 80% frente aos sistemas fechados da OpenAI e da Anthropic.

Corredor de servidores em um data center usado para processamento de inteligência artificial
Empresas americanas ampliam o uso de modelos de IA de código aberto para reduzir o custo de infraestrutura, segundo dados do OpenRouter e da Vercel. Foto: Pexels / panumas nikhomkhai

Empresas americanas trocam modelos de inteligência artificial mais caros da OpenAI e da Anthropic por opções abertas e mais baratas, mostrou reportagem publicada pela Folha nesta segunda-feira (28). A AT&T, uma das companhias à frente da mudança, elevou a fatia de sistemas de código aberto em suas operações de 20%, em maio, para 40% atualmente, e projeta chegar a 60% nos próximos meses. A troca pode reduzir em até 80% o custo de infraestrutura de inteligência artificial da empresa.

O movimento aparece em dois rastreadores independentes de consumo de IA nos Estados Unidos. Segundo a plataforma OpenRouter, citada pela revista Exame, a fatia de modelos abertos no uso corporativo do país saltou de uma faixa entre 6% e 13% em fevereiro para entre 57% e 67% em 14 de setembro. Um levantamento separado da Vercel mostra avanço parecido, de 11% em janeiro para 55% em agosto.

Por que o corte de custo virou prioridade

Companhias como a AT&T, a Airbnb e a Deloitte reduzem a dependência de sistemas fechados porque o gasto corporativo com tecnologia da informação disparou nos últimos dois anos. Modelos de código aberto, como o Llama, da Meta, o Gemma, do Google, e sistemas chineses como o DeepSeek e o Qwen, da Alibaba, rodam aplicações de IA por uma fração do preço cobrado pelos sistemas de ponta. O DeepSeek V3.1 cobra US$ 0,25 por milhão de tokens processados, contra US$ 3 do Claude 3.5 Sonnet, da Anthropic, uma diferença de doze vezes. O Qwen Plus, da Alibaba, cobra US$ 0,40 por milhão de tokens, ante US$ 5 do Claude Opus.

Peter Walker, chefe de insights da OpenRouter, disse à Exame que os modelos abertos chineses já cumprem tarefas complexas com confiabilidade.

Modelos chineses avançam fora da China

A Qwen, da Alibaba, já soma 1 bilhão de downloads e responde por 40% dos novos modelos publicados na plataforma Hugging Face, de acordo com a Exame. Fora dos Estados Unidos e da Europa, a adoção é maior: modelos chineses respondem por 67% dos tokens processados em países do sul global, segundo o mesmo levantamento. O avanço ocorre mesmo com o desempenho desses sistemas ainda entre 80% e 90% da capacidade dos modelos da OpenAI e da Anthropic, conforme avaliações citadas pela reportagem.

Harpreet Arora, chefe de infraestrutura agêntica da Vercel, disse que os modelos chineses ficaram capazes o suficiente para mais tarefas a um custo bem menor.

Quem sente o impacto na receita da OpenAI e da Anthropic

A migração pressiona diretamente a receita da OpenAI e da Anthropic, que cobram mais caro pelos modelos de ponta e dependem do consumo corporativo para sustentar contratos bilionários de infraestrutura em nuvem. Analistas apontam outro motivo para a troca, além do preço: o controle sobre a própria infraestrutura de dados. Ao rodar um modelo aberto em servidores próprios, a empresa evita depender de um único fornecedor de nuvem e mantém informações sensíveis fora de sistemas de terceiros.

Para a OpenAI e a Anthropic, o desafio agora é justificar o preço mais alto dos modelos fechados com ganhos de desempenho que compensem a diferença de custo apontada por clientes corporativos. No mercado americano de IA, convivem hoje dois perfis de cliente: o que paga pela capacidade máxima dos sistemas de ponta e o que aceita um modelo mais barato para tarefas do dia a dia.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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