O IGP-DI (Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna) subiu 1,50% em setembro, após alta de 0,06% em agosto, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), que divulgou os dados nesta quarta-feira (7). O resultado ficou pouco abaixo da mediana de 1,53% das estimativas da pesquisa Projeções Broadcast, cujo intervalo ia de 1,35% a 1,82%.
Com o avanço do mês, o indicador acumula 3,72% no ano e 3,80% em 12 meses. A aceleração de agosto para setembro foi de 0,06% para 1,50%, em um indicador que costuma ser usado como referência de reajuste em contratos.
O atacado explica a aceleração
O principal motor foi o IPA-DI, índice de preços ao produtor, que sobe quando o atacado reajusta. Ele avançou 1,95% em setembro, contra 0,10% em agosto. É a diferença mais ampla entre os componentes do indicador no mês.
O varejo também acelerou, em ritmo menor. O IPC-DI, que mede os preços ao consumidor, subiu 0,67% em setembro, ante 0,37% em agosto. A inflação ao consumidor, portanto, ficou bem abaixo da registrada nos preços de atacado.
A construção foi na direção oposta. O INCC-DI, que acompanha o custo de obras, avançou 0,22% em setembro, depois de 0,66% em agosto. Foi o único dos três componentes a desacelerar.
Núcleo do varejo e difusão
O núcleo do IPC-DI, que tira da conta os preços mais voláteis, subiu 0,25% em setembro, ante 0,27% em agosto. O núcleo acumula 3,22% no ano e 4,20% em 12 meses, acima do IGP-DI cheio no período de um ano (3,80%).
O índice de difusão, que mede a parcela de itens com preços em alta, ficou em 59,68% em setembro. Em agosto era 55,16%, um aumento de 4,52 pontos percentuais. Mais itens subiram de preço, o que indica que a alta não se limitou a poucos produtos.
O que isso significa para contratos e preços
O IGP-DI é calculado pela FGV para o período fechado do mês, do primeiro ao último dia, e costuma servir de base para corrigir contratos como aluguéis e tarifas. Contratos reajustados por ele passam a refletir os 3,80% acumulados em 12 meses, e não mais a alta quase nula de agosto.
Preços de atacado costumam chegar ao consumidor com defasagem. O IPC-DI de setembro, de 0,67%, já mostra algum repasse, mas o salto de 1,95% do IPA-DI ainda precisa ser confirmado nos próximos indicadores. A leitura de outubro mostrará se o atacado mantém o ritmo ou devolve parte da alta.
Para empresas que compram insumos, o dado indica custo maior na ponta da cadeia. Para o consumidor, o efeito imediato é limitado: o núcleo do varejo ficou em 0,25% no mês, sem aceleração em relação a agosto.



