O Banco Inter (INBR32) passou de cerca de 8 mil para 45 milhões de clientes em dez anos, e o CEO Alexandre Riccio afirma que a próxima década será sobre outra métrica: rentabilidade. Em entrevista publicada nesta quarta-feira (7) pelo Money Times, o executivo disse que o banco quer elevar o retorno sobre patrimônio (ROE) dos atuais 16,3% para 30%.
Riccio descreveu a trajetória em fases. Entre 2014 e 2016, o Inter construiu a estrutura de banco digital. Em 2018, ano do IPO, tinha 400 mil clientes. Em 2022, chegou a 30 milhões. A partir de 2023, segundo o CEO, a prioridade passou a ser o resultado financeiro, e foi nessa época que o banco anunciou o plano conhecido como 60-30-30: 60 milhões de clientes, 30% de eficiência e 30% de ROE até 2027.
De volume de clientes para volume de negócios
A reportagem do Money Times indica que o plano 60-30-30 ficou para trás, e que o banco adotou uma nova métrica, chamada Rule of 5. A entrevista não detalha, no trecho publicado, como ela é calculada. O que o CEO deixou claro é o objetivo central: tornar o Inter o banco principal do cliente, aquele em que o salário cai e de onde saem pagamentos e investimentos.
A lógica é de receita por cliente. Com 45 milhões de pessoas já na base, o desafio, segundo Riccio, é ampliar o espaço que o banco ocupa na vida financeira de cada uma delas. Ele disse que o Inter precisa elevar o negócio a um nível que a marca já alcançou, e que o brasileiro conhece e sabe o que é o Inter.
Pagamentos e investimentos aparecem na conversa como produtos de diferenciação. O CEO também citou a inteligência artificial como fator de transformação e mencionou tecnologias emergentes, como pagamentos feitos por anéis e pulseiras. A entrevista não traz números de investimento do banco em IA.
O que o ROE de 30% exige
O ROE de 16,3% mostra que o Inter já lucra de forma consistente, mas está longe da meta. Riccio afirmou que o caminho não depende de milagre nem de risco desproporcional, e sim de crescimento consistente do negócio. Sobre o prazo, foi cauteloso: disse que o banco saiu de zero, está em 16 e vai chegar a 30, mas que não sabe exatamente o dia.
Um dado da base ilustra a distância entre ter conta e ser banco principal. O Inter abriu 7 milhões de contas para menores de idade, e 3,5 milhões delas seguem ativas, ou seja, metade. É um público de relacionamento longo, que o banco quer manter dentro da plataforma à medida que cresce.
Quem acompanha a meta
Para o acionista, a mensagem é que o crescimento de clientes deixou de ser o principal indicador. A meta de 30% de ROE só se sustenta se mais clientes concentrarem pagamentos, crédito e investimentos no Inter. Riccio reconheceu que o momento global é de incerteza, tanto na geopolítica quanto na direção das tecnologias, e disse que o banco quer ser um porto seguro para os clientes daqui a dez anos.



