O IPCA de setembro sai nesta sexta-feira (9), às 9h, com projeção média do mercado de alta de 0,75% sobre agosto, segundo levantamento publicado pelo InfoMoney. O Itaú vai um pouco além e prevê 0,79%, o que levaria a inflação acumulada em 12 meses de 4,2% para 4,5%.
A diferença entre as duas projeções é pequena, mas o resultado importa porque ele chega a um mercado que também acompanha o petróleo, as ações de tecnologia nos Estados Unidos e a segunda etapa da eleição presidencial.
O que puxa a inflação de setembro
De acordo com o Itaú, a aceleração vem principalmente das tarifas de energia elétrica. O banco aponta o reembolso do bônus extraordinário de Itaipu, um desconto temporário nas contas de luz bancado pelo excedente de receita da usina, como o fator por trás da alta.
O Bradesco enxerga outra origem. Para o banco, o índice deve ser impulsionado pela aceleração dos preços de alimentos e por algum avanço dos núcleos de inflação, que medem a parte mais persistente dos preços. Os dois diagnósticos convivem: um aponta para um item administrado, a conta de luz, e o outro para o supermercado.
O que o mercado olha ao mesmo tempo
Os futuros em Nova York operavam em alta na manhã desta sexta. Segundo a Reuters e a Bloomberg, reproduzidas pelo InfoMoney, o Nasdaq 100 avançava cerca de 0,9% e o índice S&P 500, entre 0,4% e 0,5%. O ânimo veio de uma informação de pessoas próximas à OpenAI: a empresa espera chegar a US$ 70 bilhões ou mais em receita anualizada até o fim do ano, o que reduziu o temor de que as vendas estivessem abaixo do projetado. Um ETF de fabricantes de chips subia mais de 2% no pré-mercado.
O petróleo foi na direção oposta. O Brent recuava para cerca de US$ 103 por barril, depois de tocar na véspera a maior cotação em duas semanas. A queda seguiu declarações de Donald Trump de que os EUA não atacarão o Irã antes das eleições legislativas americanas de meio de mandato e de que há discussões produtivas com Teerã.
O que o número muda para o bolso e para os juros
Uma inflação anual de 4,5% fica acima dos 4,2% de agosto e mantém o assunto na mesa de quem decide o ritmo de queda da Selic. A composição também pesa: se a alta vier mais de uma tarifa de energia com origem temporária, o efeito tende a ser pontual. Se vier de alimentos e dos núcleos, como prevê o Bradesco, o preço sentido no dia a dia e a pressão sobre os juros ganham outro peso.
O leitor que paga conta de luz e faz compra de mercado vai sentir os dois efeitos, em graus diferentes. O número oficial do IBGE, divulgado às 9h, mostra qual dos dois bancos acertou mais.


