O Itaú Unibanco apresentou nesta terça-feira (29) uma solução para receber pagamentos dentro de conversas entre consumidores e agentes de inteligência artificial, segundo o Canaltech. A tecnologia foi desenvolvida por meio da Rede e mira o chamado comércio agêntico, em que a compra termina no próprio chatbot, sem que o cliente precise trocar de aplicativo.
De acordo com o banco, os agentes de IA já ajudam a pesquisar produtos, comparar opções e montar carrinhos. A conclusão da compra, por outro lado, ainda é um obstáculo nesse formato. É exatamente essa etapa que a novidade pretende resolver.
Um sistema que traduz protocolos
A solução é um sistema desenvolvido pelo Itaú que adapta os protocolos usados pelos agentes de IA às interfaces de pagamento da Rede. Na prática, uma empresa consegue se conectar a diferentes ambientes de IA sem montar uma integração de pagamento específica para cada agente.
Segundo o Let's Money, o diretor de Tecnologia do Itaú Unibanco, Adriano Tchen, afirmou que o banco desenvolve uma arquitetura preparada para conversar com diferentes agentes e protocolos, sem atrelar os clientes a uma única tecnologia. A plataforma também identifica o protocolo de origem de cada transação, o que permite rastrear por qual canal a venda chegou.
Na estreia, o meio de pagamento aceito é o cartão de crédito. Os dados do cartão digitados no chat são protegidos por tokenização, feita em integração com parceiros. O Canaltech informa que outros meios de pagamento estão previstos para o futuro. As fontes lidas não trazem datas para essa ampliação nem citam lojistas ou plataformas de IA que já operem com a ferramenta.
Por que o banco se move agora
Angelo Russomanno, diretor de Recebimentos e Adquirência do Itaú Unibanco, afirmou que os agentes de IA começam a mudar a forma como as pessoas descobrem produtos e fazem compras no ambiente digital. Segundo ele, o banco constrói a ponte para que os clientes possam oferecer pagamentos integrados.
O Let's Money cita projeções de terceiros para dimensionar o mercado: a McKinsey estima entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões em transações feitas por agentes até 2030, e a Accenture calcula que 30% do comércio online global será conduzido por eles nesse ano. São estimativas de consultorias, não dados do Itaú. Em 25 de setembro, o site Tiinside noticiou um relatório da Mastercard que prevê que uma em cada dez pessoas usará agentes de IA regularmente para comprar e pagar até 2030.
O movimento se soma a outra aposta recente do banco em IA, o ia.i, assistente de inteligência artificial lançado no aplicativo do Itaú para pessoas físicas, citado pelo Canaltech.
Quem ganha com a compra dentro do chat
Para o lojista, segundo o banco, o ganho está em estar presente onde a compra acontece, com potencial de aumentar a conversão, ampliar o alcance e capturar vendas nos canais digitais impulsionados por IA. Como a integração é única, a empresa não precisa refazer o trabalho a cada novo agente que surgir.
Para o consumidor, o Itaú descreve um processo mais fluido, com pesquisa, interação e pagamento no mesmo lugar. O teste do mercado virá com a entrada dos primeiros varejistas e com a inclusão de outros meios além do cartão de crédito.



