segunda-feira, 5 de outubro de 2026 · Edição diária

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Trump entrega a IA a Jay Clayton, chefe da SEC que abriu 57 processos contra cripto

A Casa Branca deu 120 dias ao grupo comandado por Clayton para avaliar riscos da IA e propor o papel do governo federal. O histórico dele na SEC, com 57 processos contra empresas de ativos digitais, alimenta o temor de regras mais duras.

Jay Clayton, diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos
Jay Clayton, diretor de Inteligência Nacional, vai comandar a Força de Superinteligência da Casa Branca. Foto: Pexels / Tom Fisk

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo (4) a criação da Força de Superinteligência, um grupo da Casa Branca que será comandado por Jay Clayton, diretor de Inteligência Nacional, segundo a Exame. O colegiado tem 120 dias para avaliar riscos e oportunidades da inteligência artificial e recomendar qual deve ser o papel do governo federal na tecnologia.

Integram o grupo Andrew Ferguson, presidente da Comissão Federal de Comércio (FTC), Emil Michael, diretor de tecnologia do Pentágono, e Scott Kupor, diretor do Escritório de Gestão de Pessoal. De acordo com a CNBC, citada pela Exame, a força-tarefa também vai coordenar conversas do governo com consumidores, organizações civis, grupos religiosos, operadores de infraestrutura crítica e empresas de IA.

Um prazo que termina em fevereiro de 2027

As recomendações devem ficar prontas no início de fevereiro de 2027. A criação do grupo veio uma semana depois de outra ordem executiva, assinada em 29 de setembro, que manda as agências federais trocarem o termo "inteligência artificial" por "superinteligência" nos documentos oficiais. Segundo a Exame, Trump descreveu a tecnologia como algo que muitos consideram maior que a Revolução Industrial e a internet.

Na mesma semana, executivos das principais empresas de IA assinaram compromissos voluntários de segurança na Casa Branca, de acordo com a reportagem.

O histórico de Clayton com as criptomoedas

Clayton nasceu em 1966 em Newport News, na Virgínia, e construiu carreira como advogado em Wall Street. Presidiu a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) de maio de 2017 a dezembro de 2020, também nomeado por Trump. Nesse período criou a unidade cibernética do órgão e abriu uma ofensiva contra as ofertas iniciais de moedas digitais, as ICOs.

A SEC abriu 57 processos contra empresas de ativos digitais durante a gestão dele. Um dos casos foi contra a Ripple, retirado depois pelo próprio órgão no segundo mandato de Trump, segundo a CoinDesk. A linha de fiscalização por ações judiciais ficou associada ao sucessor de Clayton, Gary Gensler, nomeado por Joe Biden, e virou alvo de críticas da indústria de criptomoedas.

Em 2025, Clayton voltou ao governo como procurador federal do Distrito Sul de Nova York. Trump o indicou em junho de 2026 para a Inteligência Nacional, no lugar de Tulsi Gabbard. O Senado confirmou o nome por 51 votos a 47 em 28 de julho, e ele tomou posse em agosto.

O que as empresas de IA enfrentam até fevereiro

A nomeação dividiu o setor de tecnologia. Segundo a Exame, empresas de tecnologia e de criptomoedas temem que o histórico de fiscalização rigorosa de Clayton seja levado para a política de IA e resulte em regulação mais restritiva.

Clayton é a segunda escolha de Trump para essa frente. Antes dele, o investidor David Sacks acumulava a supervisão de IA e de criptomoedas, e deixou a parte de cripto em março de 2026. O relatório do grupo, previsto para o início de fevereiro de 2027, vai mostrar se Washington mantém a linha dos compromissos voluntários ou migra para regras mais duras sobre as empresas que desenvolvem modelos de IA.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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