O JPMorgan Chase não vai permitir que agentes de inteligência artificial de terceiros acessem contas de clientes nem executem ações em nome deles. A posição foi apresentada por Jamie Dimon, presidente do conselho e CEO do banco, na conferência de resultados trimestrais de terça-feira (13), segundo a CNN Brasil.
Dimon justificou o veto pelo risco para empresas e usuários. Para ele, o perigo está na escala: o executivo disse que ninguém quer agentes fora de controle e que eles podem se contar aos milhares.
Leitura liberada, ação bloqueada
Hoje, de acordo com a reportagem, os agentes de IA podem ver alguns dados do cliente, como o saldo, apenas em modo de leitura. Não podem fazer transferências nem pagamentos. É essa a linha que o banco pretende manter.
Dimon citou como exemplo o Muse, agente da Meta que navega por sites e conclui tarefas de forma autônoma, como fazer compras e enviar e-mails. Segundo o CEO, a posição do banco não é a favor nem contra a tecnologia, e sim garantir que ela atenda os clientes com segurança.
Ele também defendeu que as pessoas respondam pelos próprios agentes. Quem usa esse tipo de ferramenta, afirmou, precisa entender o risco, porque há uma transferência de responsabilidade do banco para o usuário.
O banco cobra pelo acesso e prepara o seu agente
A decisão tem antecedente. No ano passado, o JPMorgan entrou em disputa com fintechs sobre o acesso a dados de clientes e, depois disso, passou a cobrar das empresas que querem usar essas informações.
Ao mesmo tempo em que fecha a porta para agentes externos, o banco desenvolve o Smart Cash, um agente próprio capaz de fazer pagamentos e transferências entre contas. A CNN Brasil informa que, no futuro, a ferramenta deve prever necessidades de fluxo de caixa e montar o orçamento automaticamente.
Quem fica com a responsabilidade
Na prática, o cliente do JPMorgan que quiser delegar compras ou pagamentos a um assistente de IA de outra empresa não poderá fazê-lo dentro das contas do banco. A automação financeira ficará, por ora, restrita ao agente que o próprio banco construir, o que mantém a custódia dos dados e das operações dentro da instituição.
A matéria não informa prazo para o lançamento do Smart Cash nem se a regra de leitura será revista. Também não detalha como o banco tratará clientes que já usam agentes de terceiros para consultar saldo.



