Dois em cada três profissionais que usam inteligência artificial no trabalho aceitam as respostas da ferramenta sem avaliar se estão corretas. O dado vem de um levantamento global da KPMG com a Universidade de Melbourne, que ouviu mais de 48 mil pessoas em 47 países, e foi reportado pela Exame nesta quinta-feira (22). Segundo o estudo, 66% admitem ter confiado na resposta sem conferir.
O custo aparece no mesmo levantamento: 56% dos entrevistados disseram ter cometido erros profissionais por causa da tecnologia. A preparação das empresas não acompanha o uso. Apenas 47% afirmaram ter recebido treinamento em IA, e 48% disseram já ter inserido dados da empresa em ferramentas públicas.
Por que a ferramenta erra com tanta segurança
A IA generativa produz texto a partir de padrões estatísticos, e não por verificação de fatos, explica a reportagem da Exame. O resultado são as chamadas alucinações: informações falsas apresentadas com linguagem organizada e confiante, o que dificulta a percepção do erro por quem lê.
A Exame descreve situações de rotina em que isso vira problema. Um analista que pede o resumo de um contrato pode receber um texto que omite cláusulas relevantes. Um coordenador que leva à diretoria dados de mercado gerados pela IA pode apresentar números desatualizados. A reportagem cita ainda o risco de executivos aprovarem investimentos com base em projeções que ninguém verificou.
O que a reportagem recomenda às equipes
A primeira orientação é classificar as tarefas por impacto. Dados, datas, valores e citações devem ser sempre conferidos, pedindo à ferramenta as fontes, abrindo cada uma e comparando os números com a base original, como relatórios oficiais ou sistemas internos. Em decisões relevantes, uma segunda pessoa deve revisar o material antes do envio.
A revisão humana também pesa na confiança dos próprios trabalhadores. Segundo pesquisa global da Freshworks citada pela Exame, 69% dos profissionais confiariam mais na IA se a revisão por uma pessoa fosse obrigatória.
Quem precisa agir dentro da empresa
A conclusão da reportagem é que a adoção de IA avançou mais rápido que as práticas de verificação. Para a gestão, a tarefa recai sobre a política interna: definir regras de uso, indicar quais ferramentas estão autorizadas e oferecer treinamento. Com 48% dos entrevistados admitindo ter colocado dados corporativos em ferramentas públicas, a ausência dessas regras expõe informações da própria empresa, além de produzir relatórios errados.
A Exame sugere tratar cada resposta da IA como um primeiro rascunho, que precisa de validação antes de virar relatório, apresentação ou decisão.



