A Comissão da Lancet sobre Ameaças Globais à Saúde no Século XXI apresentou neste domingo (11), no World Health Summit, em Berlim, uma lista de 17 grandes ameaças à saúde humana. Segundo reportagem do Olhar Digital, guerra nuclear e uso malicioso de inteligência artificial são os dois riscos que, na avaliação dos 35 especialistas do grupo, podem ameaçar a sobrevivência da humanidade nos próximos 75 anos.
Os autores afirmam que a probabilidade desses dois cenários é baixa. O que pesa na avaliação é o tamanho do dano possível. Uma revista The Lancet publicou um editorial junto com o relatório.
Como a comissão chegou aos 17 riscos
A comissão classificou as ameaças pela estimativa de anos de vida saudável perdidos (DALYs, na sigla em inglês). Para entrar na lista, o risco precisava ter capacidade de causar perda acumulada superior a 1 bilhão de DALYs e ter medidas de prevenção ou mitigação viáveis.
Além de guerra nuclear e IA, a lista inclui poluição do ar, resistência a antimicrobianos, desnutrição infantil, crise climática, conflitos convencionais, redução da ajuda internacional, consumo elevado de álcool, hipertensão, desigualdade de renda, baixa escolaridade, pandemias de origem natural, obesidade, problemas de saúde mental, tabagismo e envelhecimento não saudável.
O trabalho começou há três anos, com foco em conflitos, mudança climática e pandemias. Christopher Murray, copresidente da comissão e diretor do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde da Universidade de Washington, disse que a análise revelou um conjunto mais amplo de riscos.
O que o relatório diz sobre IA e arsenal nuclear
No caso da guerra nuclear, a comissão descreve a liberação de partículas na alta atmosfera em quantidade suficiente para bloquear a luz solar e provocar uma crise alimentar. Somada à fome global, essa combinação carregaria risco de extinção. Sobre a IA, o ponto citado é o uso para desenvolver armas biológicas capazes de causar danos em larga escala.
Os números do relatório mostram também riscos de outra natureza. Limitar o aquecimento a cerca de 1,8 °C, em vez de 4,4 °C, evitaria a perda de 1,89 bilhão de anos de vida saudável. Um colapso ou corte forte da ajuda internacional em saúde poderia custar até 1,5 bilhão de DALYs até 2100, quase 70% deles na África Subsaariana. A reportagem cita cortes de grandes doadores, como Estados Unidos e Reino Unido.
O que a comissão pede dos governos
As recomendações incluem agir antes que os riscos virem crises, investir em inovação tecnológica, fortalecer sistemas de saúde e reservar dinheiro e equipes para antecipação, prevenção e preparo. Ibrahim Abubakar, professor de epidemiologia de doenças infecciosas do University College London e membro da comissão, afirmou que o objetivo é subsidiar decisões de governo, não provocar alarme, e que os riscos são interligados e precisam ser enfrentados em conjunto.
A comissão informou que vai atualizar a avaliação todos os anos, reavaliando as 17 ameaças, incorporando dados novos e considerando riscos emergentes. Para quem acompanha a regulação de IA, a lista coloca o uso malicioso da tecnologia ao lado de riscos já tratados em políticas de saúde pública e segurança, e a revisão anual indica que o item será medido de novo.



