sexta-feira, 9 de outubro de 2026 · Edição diária

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UE diz que sua Lei de IA segura agentes rebeldes e ameaça multa de 7% do faturamento

Henna Virkkunen, chefe de tecnologia da UE, disse à Reuters que a lei de 2024 cobre todo o ciclo de vida dos modelos. A Comissão já pediu informações a mais de 30 empresas, e multas podem chegar a 7% do faturamento global.

Sede da Comissão Europeia em Bruxelas
A Comissão Europeia, que enviou pedidos de informação a mais de 30 empresas de IA desde o fim de agosto. Foto: Jakob Johannsen / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A chefe de tecnologia da União Europeia, Henna Virkkunen, afirmou em entrevista à Reuters nesta sexta-feira (9) que as regras de inteligência artificial do bloco, adotadas há dois anos, são suficientes para lidar com agentes de IA que escapem ao controle humano. O texto foi publicado pela CNN Brasil.

A declaração responde a uma preocupação recente. Ataques cibernéticos atribuídos a agentes de IA da OpenAI e da Anthropic reforçaram o temor de que sistemas autônomos possam agir fora da supervisão de quem os opera. Virkkunen disse que a Europa está bem preparada para esse tipo de risco.

Segundo a Reuters, ela argumentou que a Lei de IA já está em vigor e alcança todo o ciclo de vida dos modelos, do desenvolvimento ao uso. Ela também afirmou que é preciso continuar monitorando os modelos, o que indica que a Comissão não trata a legislação como ponto final.

Regra por nível de risco, com painel de 60 especialistas

A Lei de IA europeia regula a tecnologia de acordo com o nível de risco de cada aplicação. Quanto maior o potencial de dano, maiores as obrigações impostas a quem desenvolve ou comercializa o sistema.

Para embasar as recomendações dos reguladores, a UE conta com um painel científico de 60 especialistas em IA. De acordo com a entrevista, é esse grupo que deve orientar a avaliação técnica sobre os modelos mais capazes.

Mais de 30 empresas já receberam pedidos de informação

No fim de agosto, a Comissão Europeia enviou pedidos de informação a mais de 30 empresas de IA. A primeira rodada pediu detalhes sobre medidas de segurança. Em seguida vieram perguntas sobre obrigações de transparência e direitos autorais.

A Comissão não divulgou os nomes das empresas. Virkkunen disse que as respostas estão em análise. Ela afirmou ainda que o órgão também enviou pedidos a startups chinesas de IA, e que, hoje, os modelos mais capazes vêm dos Estados Unidos e da China.

Multa de até 7% e a disputa pela taxa digital

Os pedidos de informação podem evoluir para investigações formais. Nesse caso, as empresas ficam sujeitas a multas de até 7% do faturamento anual global, um teto que pesa mais para grupos com receita bilionária e operação em vários países.

O tema corre em paralelo a uma negociação orçamentária. Governos da UE discutem novas fontes de financiamento para o orçamento do bloco entre 2028 e 2034, e uma das hipóteses é uma taxa digital que recairia sobre grandes empresas de tecnologia dos EUA. A Reuters não informou se há ligação formal entre a taxa e as investigações em curso.

Para empresas de IA que vendem no mercado europeu, o efeito imediato é jurídico: responder aos questionários da Comissão e documentar segurança, transparência e uso de conteúdo protegido. Para quem acompanha a regulação em outros países, incluindo o Brasil, a posição de Bruxelas mostra que a UE pretende aplicar a lei vigente antes de rever o texto.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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