terça-feira, 29 de setembro de 2026 · Edição diária

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Lisa Cook, do Fed, diz que IA e petróleo vão manter a inflação dos EUA em 3,8%

A diretora do Federal Reserve afirmou em Oakland que a expansão da IA e o petróleo mais caro vão pressionar os preços nos próximos meses, com a inflação em 3,8% em 12 meses até agosto, quase o dobro da meta de 2%.

Sede do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, em Washington
Lisa Cook, diretora do Federal Reserve, falou sobre inflação em evento em Oakland, na Califórnia, nesta segunda-feira (28). Foto: Pexels / Oleg Podlesnykh

A diretora do Federal Reserve Lisa Cook afirmou nesta segunda-feira (28), em Oakland, na Califórnia, que espera pressão contínua sobre a inflação americana nos próximos meses, vinda do investimento em inteligência artificial e do repasse do petróleo mais caro por causa da guerra no Irã. A fala foi dada durante o evento Oakland Tech Week e reportada pela Reuters e pelo Valor Econômico.

Segundo Cook, que votou a favor da última alta de juros, a inflação total ficou em cerca de 3,8% nos 12 meses até agosto, quase o dobro da meta de 2%. Ela disse que o número e o tamanho de eventuais novos ajustes dependerão da reação da economia às medidas já tomadas e dos dados de preços e de emprego dos próximos meses. Não indicou uma trajetória específica.

Por que a IA entra na conta da inflação

Cook disse que os preços de bens ligados à IA, como chips, computadores e software, subiram com força no último ano. Para ela, combater essa alta setorial com política monetária seria um erro, porque os instrumentos do Fed são pouco precisos para atingir setores específicos e ajustar preços relativos não é papel do banco central.

A preocupação da diretora é com o contágio. A demanda dos data centers por mão de obra de construção e por energia pode pressionar preços em outros setores. De acordo com dados citados por ela, eletricidade e água ficaram cerca de 5% mais caras em um ano, e os preços de bens (sem alimentos e energia) sobem mais de 3% neste ano.

Petróleo e juros no radar

O outro fator é o petróleo. A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã chega ao sétimo mês, e o barril subiu cerca de 2% nesta segunda, depois de o presidente Donald Trump rejeitar a proposta iraniana de reabrir o Estreito de Ormuz. Os rendimentos dos títulos americanos estão em máximas de vários anos, segundo a FXStreet.

O mercado atribuía cerca de 75% de chance de nova alta de juros já no próximo mês, de acordo com a Reuters. Os dirigentes do Fed projetam mais um aumento até o fim de 2026. Cook afirmou que o mercado de trabalho parece bem posicionado para suportar juros mais altos. Os EUA criaram 162 mil vagas em agosto.

Ela também tocou no risco inverso. Se a IA elevar temporariamente o desemprego, disse, o Fed teria poucas ferramentas para agir, porque cortar juros poderia alimentar ainda mais a inflação.

Quem paga a conta no Brasil

Juros americanos mais altos por mais tempo puxam o dólar para cima e encarecem o crédito de empresas brasileiras que captam no exterior. Também reduzem o espaço para cortes da Selic, que o Copom vinha fazendo em passos de 0,25 ponto, com a taxa em 13,75%. Um petróleo acima de US$ 100 pesa ainda nos combustíveis e no custo de frete no país.

Para as empresas que planejam data centers no Brasil, o alerta de Cook tem efeito prático: os mesmos insumos que ela cita (energia, obra e equipamentos) ficam mais caros quanto mais projetos disputam a oferta global.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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