O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criou um comitê para investigar a diretora do Federal Reserve Lisa Cook e dizer a ele se existe justa causa para afastá-la do cargo, segundo comunicado publicado pela Casa Branca e relatado pela Reuters nesta sexta-feira (9). O memorando é datado de 7 de outubro de 2026.
O texto afirma que o comitê serve para auxiliar o presidente na decisão sobre a destituição. As acusações envolvem declarações falsas que Cook teria feito sobre hipotecas. O comunicado diz que a comissão investigará as alegações contra a governadora e informará se elas sustentam a demissão.
Como será a audiência
O memorando prevê uma audiência presencial na Casa Branca para examinar as evidências e as alegações contra Cook. A reunião não deve passar de quatro horas, de acordo com o documento.
A fonte não informa a data da audiência, os nomes dos integrantes do comitê nem o prazo para que ele entregue suas conclusões. Também não há, no material lido, manifestação de Cook sobre o novo procedimento.
O que a Suprema Corte já havia decidido
Cook foi indicada à diretoria do Fed pelo ex-presidente Joe Biden, democrata, em 2022, e reconduzida em 2023 para um mandato que vai até 2038. Ela é a primeira mulher negra a integrar o colegiado.
Há cerca de um ano, Trump tentou demiti-la. O caso chegou à Suprema Corte, que decidiu que um presidente não pode remover um diretor do Fed sem causa adequada e precisa seguir um processo claro, com motivos declarados e apresentação de provas. A decisão manteve Cook no posto e devolveu o caso a um tribunal federal de primeira instância.
O novo comitê responde justamente a essa exigência: monta um rito formal, com audiência e análise de evidências, para sustentar a alegação de justa causa. Se o procedimento resistirá a nova contestação judicial é algo que o memorando não resolve.
Por que o caso importa fora dos EUA
A diretoria do Fed participa das decisões de juros da maior economia do mundo, que repercutem sobre o dólar, o custo do crédito e o fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil. Qualquer mudança na composição do colegiado por iniciativa da Casa Branca pesa sobre a percepção de independência do banco central americano.
A cobertura da Reuters reproduzida pelo Money Times não registra reação de mercado ao anúncio. O ponto a acompanhar é a data da audiência, ainda não divulgada, e a eventual contestação de Cook na Justiça caso o presidente decida pela destituição.



