As empresas americanas devem apresentar mais uma alta forte de lucro nos balanços do terceiro trimestre, e a inteligência artificial responde pela maior parte dela, segundo levantamento publicado pela Reuters e reproduzido pelo Money Times nesta sexta-feira (9). A projeção é de crescimento de cerca de 31% nos ganhos do S&P 500 em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com Tajinder Dhillon, da LSEG, cerca de dois terços desse avanço devem vir de gigantes de tecnologia e IA, entre elas Alphabet, Amazon e Meta. Sameer Samana, estrategista do Wells Fargo, afirmou que o resultado se resume à IA e estimou que de 70% a 80% do crescimento pode ser atribuído a tecnologia e inteligência artificial.
Chips e energia também sobem
Os fabricantes de semicondutores aparecem entre os maiores beneficiados. A expectativa é de alta de cerca de 136% no lucro do setor no trimestre, abaixo dos 158% do segundo. A Micron projetou receita acima das estimativas e informou contratos de fornecimento de longo prazo de US$ 32 bilhões.
Fora da tecnologia, o destaque é energia, com lucros projetados em alta de cerca de 115%. O petróleo americano subiu aproximadamente 30% no trimestre, em meio à guerra que envolve Estados Unidos, Israel e Irã. Bens de consumo básico e setor imobiliário têm as projeções de crescimento mais fracas.
O segundo trimestre já tinha sido excepcional: os lucros do S&P 500 subiram quase 54%, ou cerca de 35% se forem excluídos os ganhos contábeis ligados a IA registrados por Alphabet e Amazon. Na semana, o Google também fechou um grande contrato de fornecimento de energia com a Constellation Energy, outro sinal de que a demanda de computação puxa investimentos fora do setor de tecnologia.
O alerta de quem vê o pico
Nem todos os analistas leem a sequência como sustentável. Anthony Saglimbene, da Ameriprise, disse que os investidores podem estar perto do pico de crescimento de lucro deste ciclo, porque os gastos com IA exigem retornos cada vez mais altos para se justificar.
Os juros longos também pesam. O avanço dos rendimentos dos títulos, associado à inflação, ao petróleo mais caro e a preocupações com a dívida na França e em outros países, pode comprimir os lucros nos próximos trimestres, segundo a reportagem.
O que isso significa para o investidor brasileiro
A concentração é o ponto de atenção para quem tem exposição a ações americanas, direta ou por fundos e BDRs. Se de 70% a 80% do crescimento vem de um único tema, um balanço abaixo do esperado em uma das big techs pode alterar a leitura do mercado inteiro. Os resultados do trimestre, que começam a ser divulgados nas próximas semanas, vão mostrar se o lucro extra da IA continua acompanhando o tamanho dos investimentos.



