O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista ao programa Canal Livre, da BandNews TV, exibida na noite deste domingo (27), que o Brasil precisa desenvolver uma inteligência artificial própria, capaz de falar português, para não depender de tecnologia chinesa ou americana.
O relato foi reproduzido pelo Correio Braziliense e pelo InfoMoney. Segundo o presidente, o país não pode ficar refém de sistemas estrangeiros de inteligência artificial. "Não quero ficar dependendo da inteligência artificial chinesa, muito menos americana", disse Lula. Ele completou: "Eu quero saber se é possível a gente criar uma."
O presidente disse que já tinha cobrado essa resposta antes. Segundo ele, o desafio foi lançado ao Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia há dois anos, o que situa o episódio em 2024, pela própria conta de Lula.
Lula resumiu o objetivo em uma frase: "Vamos construir uma inteligência artificial que fale português", disse o presidente.
Dois anos depois, sem número nem prazo público
A entrevista não trouxe atualização sobre o andamento do projeto. Lula não citou orçamento, cronograma, edital ou instituição responsável por tocar a construção de um modelo de inteligência artificial nacional. Também não informou se o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia já apresentou algum resultado.
O ponto central da fala foi político. Lula tratou a dependência de tecnologia estrangeira, chinesa ou americana, como um problema de soberania a ser resolvido pelo país, mas não detalhou como isso sairia do discurso para um projeto concreto.
PEC da Segurança também entra na entrevista
Na mesma entrevista, Lula defendeu a PEC da Segurança Pública, que tramita no Congresso. "Apresentamos a PEC para definir qual é o papel central do governo federal na segurança pública", disse o presidente.
Lula afirmou que a Polícia Federal, embora seja, em suas palavras, "a melhor do Brasil", não pode interferir diretamente nos Estados. Segundo ele, o objetivo é asfixiar economicamente o crime organizado, que classificou como uma "indústria multinacional" presente na Justiça, na polícia, no futebol, na política e no empresariado. "Depois a gente quer atacar o andar de cima, não apenas o povo de baixo", completou o presidente.
A proposta estava parada no Congresso e teve seus relatores definidos na Câmara e no Senado no início deste mês, segundo o presidente.
O que falta para a promessa sair do papel
Criar uma inteligência artificial brasileira depende de decisões que a entrevista não detalhou: quem financia o desenvolvimento, qual órgão coordena o trabalho e em que prazo um modelo desse tipo chegaria a uso público. Sem esses pontos, a fala de Lula segue no campo da diretriz política, sem se converter em anúncio de programa.
O mesmo vale para a PEC da Segurança. Ter relatores designados nas duas Casas é um passo formal, mas não garante data de votação. Até que o Congresso avance com o texto, o discurso sobre soberania tecnológica e sobre o combate ao crime organizado permanece no campo do calendário legislativo, fora do controle do Planalto.



