O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição no segundo turno de 25 de outubro, comparou neste domingo (11) o plano de corte de gastos do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao ajuste fiscal do presidente argentino Javier Milei, que chamou de 'tesouraço'. A fala ocorreu durante discurso em ato de campanha na Avenida Paulista, em São Paulo, segundo reportagem da Agência Brasil. O evento, batizado de Marcha Pela Democracia, ocupou boa parte da avenida e teve atos simultâneos em Alagoas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Salvador e Brasília.
Em cima de um carro de som montado em frente ao MASP, Lula afirmou que um corte de gastos nos moldes do governo argentino atingiria aposentados e trabalhadores de baixa renda. Para ele, a medida devolveria parte da população à situação de miséria enfrentada antes de seus governos, usando como justificativa a necessidade de ajustar as contas públicas.
A organização do ato reuniu grupos que não costumam aparecer juntos em manifestações políticas. De acordo com a Agência Brasil, fãs de Lady Gaga, BTS, Beyoncé e Taylor Swift participaram ao lado de torcidas organizadas do Palmeiras e do Corinthians, da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo e de movimentos estudantis. O evento também foi chamado de Lula em São Paulo, O Brasil Pronto Pra Mais, e a presença simultânea em seis estados ocorreu 14 dias antes da votação final.
O teste do Senado na escala 6x1
Antes do discurso, em entrevista à imprensa, Lula cobrou a posição do PL na votação da escala de trabalho 6x1, marcada para esta quarta-feira (14) no Senado. Para ele, o resultado vai mostrar se o partido do adversário vota para manter a escala de seis dias de trabalho por um de descanso ou para garantir dois dias de descanso ao trabalhador.
A escala 6x1 afeta diretamente a rotina de categorias como comércio, serviços e indústria, e divide parlamentares da base do Centrão e da oposição no Congresso. Ao citar a votação no mesmo discurso em que atacou o plano fiscal do adversário, Lula uniu dois temas de política econômica, o ajuste de gastos e a escala de trabalho, à disputa pelo segundo turno.
A promessa de proteção da PEC da Segurança Pública
Lula também defendeu o avanço da PEC da Segurança Pública no Congresso e resumiu o projeto em um trecho do discurso.
O eleitor que falta convencer até 25 de outubro
Lula citou a abstenção de 21,08% registrada no primeiro turno e pediu que eleitores com mais de 70 anos, que não são obrigados a votar, compareçam às urnas na reta final da eleição.
A campanha soma a mobilização de rua à disputa por grupos específicos de eleitores que ficaram fora das urnas no primeiro turno. Com atos simultâneos em seis estados organizados por públicos que vão de torcidas de futebol a fãs de pop internacional, a aposta de Lula é reduzir a abstenção que marcou a etapa anterior da eleição e usar a pauta econômica, do ajuste fiscal à escala de trabalho, como contraste com o adversário até o dia 25.



