A startup chinesa de inteligência artificial Manus anunciou nesta quinta-feira (8) ter concluído uma rodada de captação que levantou mais de US$ 500 milhões, o equivalente a R$ 2,51 bilhões, segundo a Folha Tec. O aporte chega seis meses depois de a China anular a venda da empresa para a Meta, negócio que havia sido avaliado em mais de US$ 2 bilhões.
A aquisição pela Meta foi anunciada em dezembro de 2025. Parte do negócio já estava em andamento quando o veto chegou: funcionários da Manus haviam se juntado aos quadros da Meta, capital já havia sido transferido e executivos da startup chegaram a ser incorporados à equipe de IA da empresa americana, com parte do time alocado no escritório da Meta em Singapura, segundo a Bloomberg Línea.
Por que Pequim travou a venda
A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China (NDRC, na sigla em inglês) determinou a anulação do acordo em 27 de abril de 2026. O órgão regulador divulgou uma nota de uma linha informando que a decisão foi tomada "em conformidade com leis e regulamentos", sem detalhar os motivos, segundo a Bloomberg Línea. Antes da decisão, em março de 2026, os fundadores da Manus, o executivo-chefe Xiao Hong e o cientista-chefe Ji Yichao, foram convocados para reuniões com reguladores em Pequim e ficaram impedidos de deixar o país.
Quem entra na nova rodada
Segundo reportagem do site chinês 36Kr, citada pelo Startups.com.br, a nova rodada de investimento soma possíveis aportes da gestora IDG Capital, da Boyu Capital e da fabricante de baterias Contemporary Amperex Technology (CATL), além da reentrada de acionistas que já faziam parte do negócio, como Tencent, HSG e ZhenFund. Com a captação, o valuation da Manus sobe para US$ 4 bilhões, o dobro do valor atribuído à empresa no acordo cancelado com a Meta.
A Manus foi fundada em março de 2025 e tem sede formal em Singapura. A empresa ganhou visibilidade por lançar um dos primeiros agentes de IA de uso geral do mundo, uma ferramenta autônoma capaz de executar tarefas como programação e análise de dados com pouca intervenção humana. Antes do acordo com a Meta, a startup havia levantado US$ 75 milhões em uma rodada série A, em abril de 2025, a um valuation de US$ 500 milhões. Em julho daquele ano, a empresa transferiu sua equipe da China para Singapura.
O problema de caixa que a nova rodada resolve
A receita recorrente anual da Manus já superava US$ 100 milhões no momento em que o acordo com a Meta foi anunciado, em dezembro de 2025. Até junho de 2026, esse ritmo de receita havia subido para uma faixa entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões, de acordo com o Startups.com.br. O crescimento rápido de usuários, porém, pressionou a capacidade de servidores e os custos operacionais da empresa, o que torna o novo aporte relevante para sustentar a infraestrutura do produto.
Com a venda para a Meta fora de cogitação, a Manus avalia agora uma reestruturação societária para se preparar para uma possível oferta pública inicial de ações em Hong Kong, segundo o Startups.com.br. Os primeiros investidores da empresa, como Tencent, ZhenFund e Hongshan, já haviam embolsado lucros com a venda original antes do bloqueio chinês, de acordo com a Bloomberg Línea.


