O Grupo Marabraz pediu à Justiça de São Paulo proteção de 180 dias contra cobranças de credores. A emenda à petição de recuperação judicial, relatada nesta quarta-feira (9) pelo UOL, pede o stay period previsto em lei, a liberação de recursos financeiros bloqueados, a manutenção de serviços essenciais e garantia de acesso a imóveis retomados por locadores. A Folha publicou o mesmo pedido na terça (8).
A rede protocolou a recuperação em 15 de agosto na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, pelo escritório Campana Pacca, com dívidas da ordem de R$ 140 milhões. Como o processamento ainda não foi deferido, a varejista não tinha a blindagem automática e viu credores bloquear recursos e locadores retomar pontos. A Casas Bahia fez pedido semelhante e obteve a antecipação.
O que a empresa quer agora
A Marabraz diz que as medidas são necessárias para preservar a operação enquanto negocia com credores. Na lista de prestadores essenciais entram água, energia, internet, telefone e empresas de serviços financeiros. A Redecard afirmou nos autos que rescindiu o contrato em 25 de novembro de 2025 por inadimplência e que máquina de cartão não é essencial à fabricação de móveis. A Cielo informou que a Marabraz não é cliente desde 2025.
A juíza Fernanda Perez Jacomini já determinou, em 22 de agosto, o restabelecimento dos sistemas da Oracle, que a varejista dizia ter bloqueado documentos contábeis. A Oracle respondeu ter liberado o acesso em 20 de junho, antes do pedido de RJ. A magistrada mandou a Deloitte fazer perícia prévia e a empresa reiterou, em petição de 3 de setembro, o pedido de concessão da recuperação.
86 lojas fechadas e briga de família
O grupo declara 111 lojas, 25 em funcionamento e 86 temporariamente fechadas por falta de liquidez para recompor estoque e pagar trabalhadores. Chegou a ter 135 pontos na Grande São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba e interior. Também pediu a inclusão da Marabraz Comercial Ltda., dona da marca, entre as requerentes, hoje cinco empresas.
Fundada em 1965 por Abdul Hamid Mohamad Fares, a rede atribui a crise à convergência de fatores internos e externos. A petição aponta dependência de crédito de giro, ruptura de relações familiares entre os controladores e restrições de crédito geradas por esses conflitos. Juros altos, retração do consumo e digitalização do varejo entram como agravantes, não como causa principal. Os irmãos Nasser e Jamel Fares, filhos do fundador, figuram como controladores atuais. A próxima etapa é a juíza decidir se antecipa o stay period antes de deferir o processamento.



