Os ministros do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e Luiz Fux enviaram ofícios à Polícia Federal neste sábado (19) dizendo que não conseguiram acessar o conteúdo do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero contra fraudes do Banco Master.
Nos documentos, ambos pediram auxílio técnico operacional da PF e a conferência da higidez das mídias entregues aos gabinetes. Mendonça escreveu ao diretor-geral Andrei Rodrigues pedindo que o setor competente da polícia viabilize a superação de qualquer óbice ao acesso efetivo ao material. Mais tarde, Fux fez pedido semelhante.
Cópias do aparelho, com cerca de 500 gigabytes, foram disponibilizadas pela PF aos gabinetes de Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Até sábado, Mendonça e Fux afirmavam que dificuldades técnicas ou defeito nas mídias impediam a análise.
Segundo o g1, os dados estão organizados em pastas de chats, áudios e logs no software de perícia IPED, usado pela PF para indexar evidências digitais, recuperar trechos apagados e permitir buscas por palavra-chave. O volume equivale a dezenas de milhares de imagens e horas de áudio e vídeo.
O conteúdo do celular de Vorcaro já alimenta o embate interno no STF sobre o envolvimento do ex-banqueiro com integrantes da Corte, inclusive Mendonça e Moraes. Sem acesso pleno às cópias, os dois ministros ficam sem analisar por conta própria o material que a PF diz ter entregue.



