quarta-feira, 14 de outubro de 2026 · Edição diária

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Meta suspende IA que bloqueava imagens de 'Lula 13' e liberava 'Flávio 22'

A Meta diz ter bloqueado comandos que usam apenas o primeiro nome e o número de urna dos presidenciáveis depois que a campanha de Lula levou ao TSE provas de que a ferramenta recusava pedidos com 'Lula 13' e liberava os com 'Flávio 22'.

Tela de celular com o aplicativo WhatsApp, onde está integrada a ferramenta de IA da Meta citada na denúncia
A ferramenta de IA integrada ao WhatsApp é alvo de denúncia da campanha de Lula ao TSE por suposto tratamento desigual entre candidatos. Foto: Pexels

A Meta afirmou, em nota enviada à CNN Brasil nesta quarta-feira (14), ter adotado novas restrições na ferramenta de inteligência artificial do WhatsApp. A mudança veio depois que a empresa foi acusada de gerar imagens de propaganda apenas para o senador Flávio Bolsonaro (PL) e recusar pedidos equivalentes para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), rivais no segundo turno das eleições.

A denúncia partiu da coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia a reeleição de Lula, e foi levada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Segundo a campanha, a ferramenta de IA do WhatsApp recusava pedidos de imagens com os termos 'Lula 13' e, ao mesmo tempo, atendia sem restrição pedidos equivalentes com 'Flávio 22', nome e número do senador na urna, de acordo com a CNN Brasil.

Um dos casos citados pela reportagem envolve o influenciador Maqui Nóbrega, que pediu à ferramenta um cartaz com os dizeres 'lula 13' e teve o pedido negado. A mesma solicitação, trocada para 'flávio 22', gerou de imediato uma peça com o texto 'Flávio 22, O Futuro é Agora. Compromisso, trabalho e inovação', segundo o levantamento.

CNN Brasil repete o teste e confirma a diferença

A própria CNN Brasil testou a ferramenta nesta quarta-feira (14) e confirmou respostas diferentes para os dois candidatos, inclusive em pedidos de bandeiras e imagens de rosto. A campanha de Lula classificou o comportamento como seletividade algorítmica e disse que a diferença de tratamento favoreceu a produção em massa de conteúdo eleitoral por apoiadores de Bolsonaro, segundo a reportagem.

Para a coligação petista, episódios como esse podem interferir na formação de opinião dos eleitores às vésperas do segundo turno. A campanha pediu que o TSE apure o caso e cobre explicações da Meta sobre o funcionamento da ferramenta, de acordo com a CNN Brasil.

Meta reconhece ajuste após a repercussão

A empresa não admitiu viés algorítmico, mas reconheceu ter tomado providências depois da repercussão do caso. Em nota enviada à CNN Brasil, a Meta afirmou ter tomado medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens.

A nota não detalha por quanto tempo a restrição vai durar nem se outras correções estão previstas antes do segundo turno.

Quem perde a ferramenta até nova decisão

Na prática, a restrição tira das duas campanhas, e não só da de Bolsonaro, a possibilidade de usar a IA do WhatsApp para produzir peças com o primeiro nome e o número dos candidatos enquanto a medida estiver em vigor. O episódio se soma a outras disputas judiciais entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro envolvendo a Meta nas últimas semanas, com acusações cruzadas sobre alcance de publicações e tratamento desigual nas redes da empresa.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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