A Meta afirmou, em nota enviada à CNN Brasil nesta quarta-feira (14), ter adotado novas restrições na ferramenta de inteligência artificial do WhatsApp. A mudança veio depois que a empresa foi acusada de gerar imagens de propaganda apenas para o senador Flávio Bolsonaro (PL) e recusar pedidos equivalentes para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), rivais no segundo turno das eleições.
A denúncia partiu da coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia a reeleição de Lula, e foi levada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Segundo a campanha, a ferramenta de IA do WhatsApp recusava pedidos de imagens com os termos 'Lula 13' e, ao mesmo tempo, atendia sem restrição pedidos equivalentes com 'Flávio 22', nome e número do senador na urna, de acordo com a CNN Brasil.
Um dos casos citados pela reportagem envolve o influenciador Maqui Nóbrega, que pediu à ferramenta um cartaz com os dizeres 'lula 13' e teve o pedido negado. A mesma solicitação, trocada para 'flávio 22', gerou de imediato uma peça com o texto 'Flávio 22, O Futuro é Agora. Compromisso, trabalho e inovação', segundo o levantamento.
CNN Brasil repete o teste e confirma a diferença
A própria CNN Brasil testou a ferramenta nesta quarta-feira (14) e confirmou respostas diferentes para os dois candidatos, inclusive em pedidos de bandeiras e imagens de rosto. A campanha de Lula classificou o comportamento como seletividade algorítmica e disse que a diferença de tratamento favoreceu a produção em massa de conteúdo eleitoral por apoiadores de Bolsonaro, segundo a reportagem.
Para a coligação petista, episódios como esse podem interferir na formação de opinião dos eleitores às vésperas do segundo turno. A campanha pediu que o TSE apure o caso e cobre explicações da Meta sobre o funcionamento da ferramenta, de acordo com a CNN Brasil.
Meta reconhece ajuste após a repercussão
A empresa não admitiu viés algorítmico, mas reconheceu ter tomado providências depois da repercussão do caso. Em nota enviada à CNN Brasil, a Meta afirmou ter tomado medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens.
A nota não detalha por quanto tempo a restrição vai durar nem se outras correções estão previstas antes do segundo turno.
Quem perde a ferramenta até nova decisão
Na prática, a restrição tira das duas campanhas, e não só da de Bolsonaro, a possibilidade de usar a IA do WhatsApp para produzir peças com o primeiro nome e o número dos candidatos enquanto a medida estiver em vigor. O episódio se soma a outras disputas judiciais entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro envolvendo a Meta nas últimas semanas, com acusações cruzadas sobre alcance de publicações e tratamento desigual nas redes da empresa.



