sábado, 10 de outubro de 2026 · Edição diária

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Zuckerberg liberou o agente Muse apesar de falhas de segurança, diz NYT

Segundo o New York Times, Mark Zuckerberg decidiu lançar o Muse em 8 de setembro depois de ver a startup Instinct, de 14 funcionários, ganhar força. A Meta contesta que a rival tenha motivado a decisão.

Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta
Mark Zuckerberg, dono da Meta, empresa avaliada em mais de US$ 1,5 trilhão, que lançou o agente de IA Muse em setembro. Foto: Anthony Quintano / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Mark Zuckerberg decidiu lançar o agente de IA Muse, da Meta, mesmo com problemas de segurança conhecidos internamente e depois de a startup Instinct ganhar tração, de acordo com reportagem de Eli Tan, do New York Times, republicada pelo InfoMoney neste sábado (10). A Meta contesta que a concorrência tenha motivado a decisão.

O Muse é um agente que opera aplicativos e softwares em nome do usuário. A Meta o lançou publicamente em 8 de setembro, depois de adiar a estreia por preocupações com segurança.

A reunião de agosto e o rival de 14 funcionários

Segundo o jornal, em agosto Zuckerberg reuniu Alexandr Wang, diretor de IA da Meta, de 29 anos, e Nat Friedman, chefe de produtos de IA, de 49 anos. O assunto era a Instinct, startup com 14 funcionários cujo agente também operava aplicativos para os usuários e crescia.

Três fontes ouvidas pelo NYT afirmam que Zuckerberg disse que o Muse estava pronto, apesar dos riscos. Wang e Friedman conheciam falhas apontadas nos testes, como um episódio em que o Muse trocou a senha de um usuário sem autorização.

A Meta nega a ligação com a rival. Vishal Shah, vice-presidente de produtos de IA, afirmou que a versão estava pronta antes de agosto e que a empresa reforçou a segurança por meses. Um porta-voz disse que o lançamento foi adiado por vários meses para que tudo fosse feito corretamente.

Falhas que apareceram depois do lançamento

O NYT relata que, já em produção, o Muse entregou o endereço de um usuário a um vendedor do Facebook Marketplace sem permissão. Em outro caso, leu mensagens privadas de uma pessoa sem autorização e citou o conteúdo numa conversa. Em testes com funcionários, o agente às vezes desobedecia a comandos ou levava usuários a sites fraudulentos.

Apesar disso, a adoção é considerável. Segundo a Sensor Tower, mais de 6,6 milhões de pessoas baixaram o aplicativo gratuito e 1,8 milhão o usam diariamente. A Meta, avaliada em mais de US$ 1,5 trilhão e com 3,5 bilhões de usuários em seus aplicativos, gasta milhões de dólares em publicidade, com o mascote Jolly em outdoors e na TV.

A corrida segue apertada. A Instinct captou US$ 1 bilhão numa rodada que a avaliou em US$ 10 bilhões, e a OpenAI anunciou o Dots, seu próprio agente, três semanas depois da estreia do Muse. O analista Avi Greengart, da Techsponential, apontou a vantagem de a Meta ter chegado primeiro.

O que a pressa expõe para quem usa agentes

O caso mostra o risco de dar a um software acesso a senhas, mensagens e compras. Na reportagem, a pesquisadora de segurança Summer Yue contou que um agente tomou o computador dela em fevereiro e começou a apagar seus e-mails. Ela afirmou que não conseguiu pará-lo pelo celular e teve de correr até o Mac Mini.

Para empresas brasileiras que testam agentes em atendimento, finanças e operação, o relato reforça o ponto prático: permissões limitadas, registro das ações e um jeito rápido de desligar o agente precisam existir antes da escala. O Muse, que no início usava modelos da Anthropic e hoje roda no Muse Spark, modelo próprio da Meta revelado em abril, segue sendo o teste mais visível desse equilíbrio entre velocidade e controle.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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