quarta-feira, 30 de setembro de 2026 · Edição diária

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MI5 diz que mais de 100 acadêmicos britânicos ajudaram instituto ligado à espionagem chinesa

O serviço de inteligência britânico afirma que uma organização chinesa financiou pesquisas em IA e segurança cibernética para reforçar a espionagem do país, e o governo pediu às universidades que rompam relações com ela.

Campus de universidade em Londres, no Reino Unido
O MI5 alertou nesta quarta-feira (30) que pesquisadores britânicos contribuíram para projetos financiados por uma organização ligada à inteligência chinesa. Foto: Pexels / Al Rashed

O serviço de inteligência britânico MI5 acusou nesta quarta-feira (30) a China de usar pesquisas acadêmicas, inclusive em inteligência artificial, para aumentar sua capacidade de espionagem. Segundo a CNN Brasil, o alerta diz que mais de 100 acadêmicos baseados no Reino Unido contribuíram para projetos financiados por uma organização chinesa chamada CGTRI, sigla em inglês para Instituto Geral de Pesquisa Tecnológica da China.

De acordo com o MI5, o CGTRI mantém laços muito fortes com o Ministério de Segurança do Estado (MSS), o serviço de inteligência civil chinês. A agência afirmou que o principal objetivo do instituto é financiar pesquisas acadêmicas que melhorem diretamente a capacidade técnica do MSS para espionar.

O que os pesquisadores estudavam

As áreas listadas no alerta são inteligência artificial, segurança cibernética, sistemas de comunicação secreta e esteganografia, técnica que esconde informações dentro de mensagens ou objetos aparentemente comuns. A lista mostra onde a agência vê o interesse chinês: em tecnologias que servem tanto à pesquisa civil quanto à coleta de informações.

O MI5 não acusa, nos trechos divulgados pela CNN Brasil, os mais de 100 pesquisadores de agir com conhecimento do vínculo. O alerta trata do financiamento e do destino que a China dá aos resultados, e não de uma lista de nomes.

A resposta de Londres e de Pequim

O ministro da Segurança do Reino Unido, Dan Jarvis, disse ter escrito aos reitores das universidades britânicas para pedir que encerrem qualquer relação com a organização chinesa. Segundo ele, o alerta expõe as tentativas da inteligência chinesa de se beneficiar em segredo da experiência e das pesquisas dos acadêmicos do país.

A embaixada da China em Londres rejeitou a acusação. Em nota, afirmou que o alerta é totalmente inventado e constitui calúnia maliciosa. É a mesma linha adotada por Pequim em denúncias anteriores de espionagem.

O episódio segue outros avisos britânicos. No ano passado, em novembro, o MI5 alertou parlamentares sobre a atuação chinesa. Em junho, a aliança Five Eyes, formada por Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, advertiu sobre o recrutamento de pessoas por plataformas online de emprego. O diretor-geral do MI5, Ken McCallum, já havia tratado do tema em advertências anteriores, segundo a CNN Brasil.

O que muda para universidades e laboratórios de IA

Na prática, o pedido de Jarvis coloca a diligência sobre as universidades: elas terão de verificar de onde vem o dinheiro de seus projetos e se algum deles passa pelo CGTRI. A base legal é a Lei de Segurança Nacional do Reino Unido, aprovada em 2023, que ampliou os poderes do governo contra espionagem estrangeira e atividades hostis de Estados.

As fontes consultadas não citam universidades brasileiras. Mesmo assim, o caso importa para quem financia ou contrata pesquisa em IA no Brasil, porque mostra o tipo de risco que serviços de inteligência ocidentais associam a parcerias acadêmicas internacionais: verba de origem pouco transparente, colaboração em temas de uso duplo e resultados que voltam para o Estado financiador.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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