A Microsoft apresentou nesta sexta-feira (9), em um evento sobre dispositivos Windows e Surface, sua proposta de levar agentes de inteligência artificial ao Windows 11 e apostar em modelos que rodam no próprio computador, segundo o Olhar Digital. A empresa chama a estratégia de inteligência híbrida: parte das tarefas fica no aparelho e parte segue na nuvem.
A ideia, de acordo com o veículo, é executar localmente o que for possível e reduzir o custo de processamento externo. O pacote também mira desenvolvedores e criadores de conteúdo, público que a companhia tenta atrair de volta para a plataforma.
O que a Microsoft mostrou no palco
A demonstração incluiu o GitHub Copilot executando tarefas de programação no dispositivo, modelos rodando localmente e agentes chamados OpenClaw, Hermes e Perplexity. A Microsoft também exibiu uma integração mais profunda do Copilot ao sistema operacional.
O presidente-executivo Satya Nadella afirmou que aquele era o dia em que a empresa começaria a falar e a pensar na chamada fronteira da IA com contornos um pouco diferentes. A busca do Windows 11 também foi redesenhada: passa a mostrar resultados direto na tela e funciona de modo parecido com um iniciador de aplicativos, mudança que o Olhar Digital considera mais útil para o público geral.
Surface Laptop Ultra custa a partir de US$ 2.599
O hardware central do anúncio é o Surface Laptop Ultra, com chips Nvidia RTX Spark, que conseguem rodar localmente modelos com mais de 120 bilhões de parâmetros. Pavan Davuluri, executivo responsável pelo Windows, disse que o aparelho foi desenvolvido para desenvolvedores e criadores que exigem o máximo de desempenho.
O preço inicial é de US$ 2.599, cerca de R$ 13,5 mil na conversão citada pelo Olhar Digital. Alguns computadores com RTX Spark chegam a US$ 6.999, perto de R$ 36,4 mil. Asus, Dell, HP, Lenovo e MSI também oferecem máquinas com o chip.
Quem precisa ser convencido
O próprio Olhar Digital avalia que as demonstrações não convenceram por completo, porque faltaram exemplos concretos de como modelos locais ajudam quem não constrói sistemas de IA. Os computadores Copilot+ chegaram há dois anos com foco em NPUs, os chips que aceleram tarefas de IA, e poucas ferramentas de foto, vídeo e produtividade as usam até agora. O Recall, apresentado como destaque da plataforma, perdeu relevância depois de preocupações com privacidade e de atrasos no lançamento.
Na prática, a aposta se dirige primeiro a quem pode pagar entre US$ 2.599 e US$ 6.999 por um notebook. Para o usuário comum, o benefício imediato descrito até aqui é a nova busca do Windows 11. Agentes de nuvem rodando em máquinas virtuais Linux, segundo o veículo, poderiam ampliar a compatibilidade de aplicativos, mas isso ainda depende de a Microsoft mostrar o que esses agentes fazem no dia a dia.



