O programador Halison Casimiro, de 44 anos, morador de Brasília, criou em dezembro de 2025 um sistema de inteligência artificial para interpretar os sinais do filho Noah Alencar Casimiro, de 1 ano e 3 meses, diagnosticado com uma síndrome genética rara. A informação é da reportagem do Metrópoles, publicada nesta segunda-feira (12).
Noah nasceu em julho de 2025 e passou quatro meses internado em UTI neonatal. Aos três meses de vida, recebeu o diagnóstico de síndrome de West; aos seis meses, o de síndrome de Sandestig-Stefanova, condição associada a uma alteração no gene NUP188. O quadro inclui hipotonia acentuada, fenda palatina, catarata congênita bilateral, alterações craniofaciais e duplicação de um polegar, segundo o Metrópoles. O menino depende de traqueostomia, suporte ventilatório e acompanhamento de técnicos de enfermagem 24 horas por dia.
Como funciona o Monitor Noah
O sistema batizado de Monitor Noah usa uma câmera instalada acima do berço, que transmite imagens em tempo real para um computador. O programa analisa alterações faciais, movimentos dos braços, posição corporal e padrões de comportamento da criança, de acordo com a reportagem. A proposta é ajudar Halison a identificar sinais de desconforto ou necessidade que Noah não consegue comunicar por fala, já que a traqueostomia limita a emissão de sons.
Halison trabalha com tecnologia desde 2001 e usou esse histórico profissional para montar o projeto em casa, conforme o Metrópoles. Ele contou à publicação a dificuldade que motivou a iniciativa.
Por que a ferramenta ainda não tem aval médico
O Metrópoles informou que o Monitor Noah segue em fase de desenvolvimento e ainda não passou por validação clínica. Na prática, o sistema não foi testado nem aprovado por instituições de saúde para medir sua precisão em identificar sinais reais de dor, fome ou desconforto, tampouco para garantir que as leituras feitas pela IA correspondam ao estado do bebê. Até o momento, o uso ficou restrito ao ambiente doméstico da família.
Halison disse ao Metrópoles que a motivação do projeto não nasceu de um plano comercial.
Quem pode usar o sistema fora de casa
Sem validação clínica, o Monitor Noah não pode, por ora, ser oferecido a hospitais, clínicas ou outras famílias que enfrentam situação parecida com filhos não verbais ou com traqueostomia. Qualquer uso ampliado dependeria de testes formais que comprovem a confiabilidade das leituras feitas pela câmera e pelo software, etapa que a reportagem do Metrópoles indica não ter começado. Até lá, a ferramenta segue como um projeto pessoal, criado por um pai para interpretar o próprio filho dentro de casa.



