sábado, 3 de outubro de 2026 · Edição diária

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MonitorA: 1 em cada 4 imagens contra candidatas tem sinais de IA; 660 são ofensivas

Levantamento do MonitorA analisou 11.137 imagens em comentários de 132 candidatas e achou sinais de IA em 25% delas. Marina Silva, Sâmia Bomfim e Erika Hilton concentram quase metade das 660 imagens ofensivas.

Mulher consulta rede social em celular durante campanha eleitoral
Monitoramento acompanhou comentários na plataforma X em perfis de 132 candidatas durante a campanha de 2026. Foto: Pexels / Mikhail Nilov

Um quarto das imagens usadas para atacar candidatas nas eleições de 2026 mostra sinais de geração por inteligência artificial, segundo levantamento do MonitorA divulgado nesta sexta-feira (2) e reportado pelo Olhar Digital. A análise reuniu 11.137 imagens publicadas em 9.393 comentários nos perfis de 132 candidatas na plataforma X.

O MonitorA é um projeto de monitoramento tocado por InternetLab, Núcleo Jornalismo e Instituto Democracia em Xeque. Além dos 25% de imagens com indícios de IA, outros 9% ficaram em zona de incerteza, quando não foi possível afirmar se a tecnologia foi usada.

Quem concentra os ataques

Do total, 660 imagens foram classificadas como ofensivas: 269 de insultos e 391 de ataques. Três candidatas ficaram no centro da maior parte desse material. Marina Silva (Rede) somou 125 registros ofensivos, Sâmia Bomfim (PSOL) teve 111 e Erika Hilton (PSOL) chegou a 109. Juntas, as três respondem por quase metade das imagens ofensivas encontradas.

O tipo de violência varia conforme a vítima. Entre os registros contra Sâmia Bomfim, 70,6% eram gordofóbicos. No caso de Erika Hilton, 47,9% eram transfóbicos. O perfil dos ataques mostra que a ofensa tende a mirar o corpo e a identidade da candidata, e não suas propostas.

A violência não ficou restrita à esquerda. Julia Zanatta (PL) teve 76 registros ofensivos, 72 deles no segundo período de monitoramento. Vanessa da Silva, conhecida como Negona do Bolsonaro (PL), teve 30 imagens ofensivas, 70% com conteúdo racista.

O que as imagens têm em comum

Entre os 391 ataques, a misoginia aparece em 99 imagens (25,3%). Em seguida vêm gordofobia, com 55 (14,1%), transfobia, com 46 (11,8%), desumanização, com 39 (10%), e racismo, com 27 (6,9%). Os números mostram que o ataque costuma combinar mais de um preconceito contra a mesma candidata.

O monitoramento teve dois recortes. O primeiro foi de 16 a 24 de agosto e identificou 1.318 ataques. O segundo ocorreu de 2 a 11 de setembro. Em agosto, Marina Silva concentrou 32% dos registros, Erika Hilton ficou com 23% e Bia Kicis (PL) com 11%.

O que o TSE permite e o que falta

O Tribunal Superior Eleitoral regulamentou o uso de IA nas eleições de 2026. As regras limitam conteúdo sintético nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao pleito, proíbem alterar material para criar cenas de sexo, nudez ou pornografia e fixam a responsabilidade dos provedores em situações específicas.

O levantamento, porém, mede comentários em perfis de candidatas, e não propaganda oficial. Imagens postadas por usuários comuns em respostas e comentários ficam fora do alcance direto das regras de propaganda e dependem de denúncia e de moderação das plataformas. Para as candidatas, o custo é imediato: cada perfil de campanha passa a receber, junto com as menções políticas, material pensado para humilhar a imagem pública de quem disputa o voto.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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