Um quarto das imagens usadas para atacar candidatas nas eleições de 2026 mostra sinais de geração por inteligência artificial, segundo levantamento do MonitorA divulgado nesta sexta-feira (2) e reportado pelo Olhar Digital. A análise reuniu 11.137 imagens publicadas em 9.393 comentários nos perfis de 132 candidatas na plataforma X.
O MonitorA é um projeto de monitoramento tocado por InternetLab, Núcleo Jornalismo e Instituto Democracia em Xeque. Além dos 25% de imagens com indícios de IA, outros 9% ficaram em zona de incerteza, quando não foi possível afirmar se a tecnologia foi usada.
Quem concentra os ataques
Do total, 660 imagens foram classificadas como ofensivas: 269 de insultos e 391 de ataques. Três candidatas ficaram no centro da maior parte desse material. Marina Silva (Rede) somou 125 registros ofensivos, Sâmia Bomfim (PSOL) teve 111 e Erika Hilton (PSOL) chegou a 109. Juntas, as três respondem por quase metade das imagens ofensivas encontradas.
O tipo de violência varia conforme a vítima. Entre os registros contra Sâmia Bomfim, 70,6% eram gordofóbicos. No caso de Erika Hilton, 47,9% eram transfóbicos. O perfil dos ataques mostra que a ofensa tende a mirar o corpo e a identidade da candidata, e não suas propostas.
A violência não ficou restrita à esquerda. Julia Zanatta (PL) teve 76 registros ofensivos, 72 deles no segundo período de monitoramento. Vanessa da Silva, conhecida como Negona do Bolsonaro (PL), teve 30 imagens ofensivas, 70% com conteúdo racista.
O que as imagens têm em comum
Entre os 391 ataques, a misoginia aparece em 99 imagens (25,3%). Em seguida vêm gordofobia, com 55 (14,1%), transfobia, com 46 (11,8%), desumanização, com 39 (10%), e racismo, com 27 (6,9%). Os números mostram que o ataque costuma combinar mais de um preconceito contra a mesma candidata.
O monitoramento teve dois recortes. O primeiro foi de 16 a 24 de agosto e identificou 1.318 ataques. O segundo ocorreu de 2 a 11 de setembro. Em agosto, Marina Silva concentrou 32% dos registros, Erika Hilton ficou com 23% e Bia Kicis (PL) com 11%.
O que o TSE permite e o que falta
O Tribunal Superior Eleitoral regulamentou o uso de IA nas eleições de 2026. As regras limitam conteúdo sintético nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao pleito, proíbem alterar material para criar cenas de sexo, nudez ou pornografia e fixam a responsabilidade dos provedores em situações específicas.
O levantamento, porém, mede comentários em perfis de candidatas, e não propaganda oficial. Imagens postadas por usuários comuns em respostas e comentários ficam fora do alcance direto das regras de propaganda e dependem de denúncia e de moderação das plataformas. Para as candidatas, o custo é imediato: cada perfil de campanha passa a receber, junto com as menções políticas, material pensado para humilhar a imagem pública de quem disputa o voto.



