O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reuniu-se nesta terça-feira (13) com a bancada do PSD para pedir apoio à sua recondução, e o líder do partido, Antonio Brito (BA), anunciou que não será candidato e que votará nele, segundo a Agência O Globo. A eleição para o comando da Casa está marcada para fevereiro.
A negociação andou mais depressa depois do primeiro turno, que ampliou a bancada do PL. O partido terá 121 deputados a partir do próximo ano e já indicou que pretende lançar candidatura de oposição.
O peso do PSD na disputa
Aliados de Motta viam Brito como o adversário mais competitivo que o presidente poderia enfrentar. Ele é aliado do PT na Bahia, circula bem entre as bancadas de esquerda e não enfrenta resistência do PL, perfil que lhe garantiria votos em campos opostos.
O PSD elegeu 43 deputados nas urnas e hoje tem 48 parlamentares, a quarta maior bancada da Câmara. A declaração de Brito é de apoio pessoal à reeleição de Motta, o que abre caminho para o partido ficar sem candidato próprio.
Um bloco que perde 26 deputados
Hoje o grupo de Motta reúne 271 parlamentares de União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos. Com o resultado das urnas, terá 245 deputados a partir de 2027, uma queda de 26 cadeiras. A votação é secreta e exige o apoio de metade dos 513 deputados.
Do lado do PL, bolsonaristas citam nos bastidores o líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o primeiro-vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (RJ), como possíveis nomes. Uma liderança do partido, que não quis se identificar, disse que o PL admite ficar sem candidato na Câmara se conseguir apoio de partidos de centro para eleger um senador seu à presidência do Senado.
O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, levou o endosso à reeleição de Motta à mesa de negociação com o PL, que apoia Flávio Bolsonaro no segundo turno. Não houve acordo nesse ponto.
A pressa de Motta antes do segundo turno
Aliados do presidente da Câmara querem fechar apoios agora para que a candidatura não perca força caso Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja eleito presidente da República. Motta foi eleito em 2024 com apoio que ia do PT ao PL, mas em 2026 se aproximou de Lula: declarou apoio público à reeleição do petista, participou de atos na Paraíba e usou boné com o nome dele, o que irritou bolsonaristas.
Ele também pediu ajuda do PT para eleger o pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), ao Senado. Lula não apoiou publicamente a candidatura, que foi derrotada.
Quem controla a pauta a partir de fevereiro
Quem presidir a Câmara a partir de fevereiro controla a pauta de votações e o ritmo das propostas do Executivo, seja qual for o vencedor do segundo turno. Com o bloco de Motta menor e o PL maior, o resultado dos votos dependerá de partidos que ainda não declararam posição e do desfecho da eleição presidencial, daqui a 12 dias.



