segunda-feira, 28 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Wall Street perde US$ 600 bilhões em dois dias e recupera US$ 3 trilhões com ações de IA

O Nasdaq 100 caiu 1,5% e perdeu US$ 600 bilhões em valor de mercado após alerta do CEO da Anthropic, Dario Amodei, mas recuperou US$ 3 trilhões dias depois, mostrando como o humor do mercado americano de ações ligadas à inteligência artificial muda em poucos dias.

Painel eletrônico exibe cotações do mercado de ações em Nova York
Ações ligadas à inteligência artificial oscilaram entre forte queda e recuperação recorde em Wall Street em setembro de 2026. Foto: Pexels / Rafael Minguet Delgado

Ações de empresas ligadas à inteligência artificial nos Estados Unidos viveram duas reviravoltas em menos de duas semanas em setembro de 2026, segundo reportagem da InfoMoney baseada em dados de mercado. Em 12 de setembro, o executivo-chefe da Anthropic, Dario Amodei, pediu uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial. Dois dias depois, em 14 e 15 de setembro, o índice Nasdaq 100 caiu 1,5% e apagou US$ 600 bilhões em valor de mercado, com tombos de mais de 9% nas ações da CoreWeave e da Lam Research.

A queda não durou. A partir de 15 de setembro, o Nasdaq 100 recuperou US$ 3 trilhões em valor de mercado, movimento que gestores ouvidos pela reportagem associam à volta do apetite por ações de semicondutores e de infraestrutura de dados usada para treinar sistemas de inteligência artificial. A rapidez da virada, de perda de bilhões para ganho de trilhões em poucos dias, mostra o quanto o mercado americano de tecnologia passou a reagir a cada declaração pública sobre o ritmo dos investimentos em inteligência artificial.

A virada em dois dias de pregão

Na segunda e na terça-feira seguintes ao tombo, o índice de semicondutores Philadelphia SOX subiu 6%. A Arm Holdings avançou 17%, Intel e Advanced Micro Devices subiram mais de 9% cada uma, e a Meta Platforms saltou 11% na segunda-feira. Nancy Tengler, diretora-presidente da Laffer Tengler Investments, disse que "este tem sido um mercado movido por narrativas, e a narrativa muda semana sim, semana não". Rhys Williams, estrategista-chefe da Wayve Capital Management, afirmou que "os movimentos são impressionantes em ambas as direções" e que "é difícil explicar isso do ponto de vista dos fundamentos".

O tamanho da aposta em ações de IA

O sobe e desce de setembro segue um ciclo mais longo de oscilação. O SOX havia despencado 29% até 29 de julho, partindo do pico registrado em 22 de junho, e mesmo após a recuperação de setembro ainda acumula queda de 13% em relação àquele topo. A Nvidia, principal fabricante de chips usados em inteligência artificial, passou a ser negociada a menos de 17 vezes o lucro esperado, metade do múltiplo em que era negociada em 2025, segundo a reportagem.

Para JoAnne Feeney, gestora de portfólio da Advisors Capital Management, o novo patamar de preço não exige aposta de longo prazo para ser atrativo. "Você não precisa acreditar que esse ritmo de crescimento continuará pelos próximos cinco anos para possuir ações de empresas como Nvidia, Broadcom e outras", disse. Já Daniel Pilling, gestor de portfólio da Sands Capital Management, afirmou: "administramos isso com muita humildade em relação ao que podemos fazer e ao que sabemos".

Nem toda oscilação de setembro teve relação direta com inteligência artificial. Ações fora do setor de tecnologia também recuaram na mesma janela, como Allstate (queda de 8,9%), Charter Communications (queda de 12%) e Planet Fitness (queda de 14%), o que indica que o nervosismo atravessou o mercado americano como um todo, não só as empresas de IA. Para os gestores ouvidos pela reportagem, a combinação de juros mais altos, custos crescentes de desenvolvimento de IA e oposição local à construção de novos centros de dados ajuda a explicar por que o apetite dos investidores muda de direção em poucos dias.

A pergunta que ainda decide o preço

O ponto em aberto, segundo os gestores ouvidos pela InfoMoney, é se os bilhões investidos em centros de dados e chips vão gerar receita proporcional nos próximos anos. Bill Mann, estrategista-chefe de investimentos da Motley Fool Asset Management, que administra cerca de US$ 2,7 bilhões, disse: "é fácil focar no argumento da destruição, e é igualmente fácil focar no argumento da criação potencial". Enquanto essa dúvida não se resolve, a alternância entre otimismo e pessimismo deve continuar determinando o preço das ações mais expostas à inteligência artificial, dos fabricantes de chips às empresas de nuvem.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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