sexta-feira, 11 de setembro de 2026 · Edição diária

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Nestlé aumenta compras de cacau no Brasil, diz o CEO Philipp Navratil

A multinacional amplia relações com fazendas brasileiras depois do choque de oferta que levou o cacau a preço recorde. O Brasil ainda produz só para o consumo interno, mas o governo prevê dobrar a safra em cinco anos.

Philipp Navratil, CEO da Nestlé, de paletó claro, em entrevista na fábrica de Caçapava (SP)
Philipp Navratil, CEO da Nestlé, na fábrica de Caçapava, a maior unidade mundial do KitKat. Ele disse à Reuters que diversificar o abastecimento de cacau é prioridade. Foto: Alexandre Meneghini / Reuters via CNN Brasil

A Nestlé ampliou as compras de cacau no Brasil, onde a produção volta a crescer depois de décadas de retração. O presidente-executivo Philipp Navratil disse à Reuters, em entrevista publicada pela CNN Brasil nesta quinta-feira (10) e ainda em destaque na sexta (11), que a empresa trabalha com agricultores em técnicas que exigem menos fertilizante. O objetivo é tornar a cadeia mais resiliente depois dos choques de oferta que levaram o preço do cacau a níveis recordes.

A conversa foi na fábrica de Caçapava (SP), a maior unidade mundial do chocolate KitKat. Isso significa diversificar o abastecimento, afirmou Navratil. A Nestlé estabeleceu relações com centenas de fazendas no país para trocar informação técnica de agricultura regenerativa: mais qualidade, mais produtividade e menos adubo convencional, cujo preço subiu com o conflito no Oriente Médio.

O Brasil volta ao mapa do cacau

O país foi um dos principais fornecedores globais na década de 1970, até a vassoura-de-bruxa dizimar as plantações. Fazendas grandes retomaram a produção nos últimos anos com árvores mais resistentes. O Brasil ainda produz só o suficiente para o consumo interno. O governo local prevê que a safra dobre em cinco anos, para cerca de 400 mil toneladas.

A Costa do Marfim lidera com cerca de 2 milhões de toneladas. O Equador se aproxima de Gana, o segundo maior, com mais de 600 mil toneladas ao ano. Árvores de cacau levam até cinco anos para chegar ao potencial pleno. Qualquer mudança relevante na cadeia global, disse o CEO, vai levar tempo. Até lá, a Nestlé usa o Brasil como peça da diversificação, não como substituto imediato da África Ocidental.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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