A Nestlé ampliou as compras de cacau no Brasil, onde a produção volta a crescer depois de décadas de retração. O presidente-executivo Philipp Navratil disse à Reuters, em entrevista publicada pela CNN Brasil nesta quinta-feira (10) e ainda em destaque na sexta (11), que a empresa trabalha com agricultores em técnicas que exigem menos fertilizante. O objetivo é tornar a cadeia mais resiliente depois dos choques de oferta que levaram o preço do cacau a níveis recordes.
A conversa foi na fábrica de Caçapava (SP), a maior unidade mundial do chocolate KitKat. Isso significa diversificar o abastecimento, afirmou Navratil. A Nestlé estabeleceu relações com centenas de fazendas no país para trocar informação técnica de agricultura regenerativa: mais qualidade, mais produtividade e menos adubo convencional, cujo preço subiu com o conflito no Oriente Médio.
O Brasil volta ao mapa do cacau
O país foi um dos principais fornecedores globais na década de 1970, até a vassoura-de-bruxa dizimar as plantações. Fazendas grandes retomaram a produção nos últimos anos com árvores mais resistentes. O Brasil ainda produz só o suficiente para o consumo interno. O governo local prevê que a safra dobre em cinco anos, para cerca de 400 mil toneladas.
A Costa do Marfim lidera com cerca de 2 milhões de toneladas. O Equador se aproxima de Gana, o segundo maior, com mais de 600 mil toneladas ao ano. Árvores de cacau levam até cinco anos para chegar ao potencial pleno. Qualquer mudança relevante na cadeia global, disse o CEO, vai levar tempo. Até lá, a Nestlé usa o Brasil como peça da diversificação, não como substituto imediato da África Ocidental.



